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Brasil melhora desempenho escolar no longo prazo, mas patamar é baixo

Por Ivan Marra
Atualizado em 10/09/2026 às 12:20 schedule 3 min de leitura visibility 40 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A redução da diferença entre o desempenho dos estudantes brasileiros e a média dos alunos de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no Pisa 2025 não significa, necessariamente, que o Brasil tenha avançado em aprendizagem. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que a aproximação ocorreu principalmente porque o desempenho brasileiro permaneceu relativamente estável enquanto a média dos países da organização recuou, especialmente nos últimos anos.

O Pisa é o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, coordenado pela OCDE, entidade que reúne 38 países. Aplicado a cada três anos, o exame avalia conhecimentos de estudantes na faixa de 15 anos em matemática, leitura e ciências. Com os resultados de 2025, similares aos de 2022, o Brasil segue abaixo da média da OCDE nas três disciplinas: 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. A média de 23 países da OCDE ficou em 466, 469 e 486, respectivamente. Cada 20 pontos equivalem a um ano escolar — em matemática, o atraso brasileiro é de cerca de 4,6 anos.

A distância, no entanto, já foi maior. Entre 2006 e 2025, a diferença em relação à média da OCDE caiu de 102 para 58 pontos em leitura, de 131 para 92 em matemática e de 113 para 77 em ciências. "Podemos afirmar que o Brasil melhorou no longo prazo, sobretudo em ciências e leitura. No entanto, parte importante da aproximação ocorreu porque a média da OCDE caiu, especialmente em matemática", avalia Rodrigo Fulgêncio, 1º vice-presidente da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe).

Para Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, o país mantém resultados estáveis enquanto a média da OCDE recuou, o que evitou uma piora, mas não resolve o desafio de promover ganhos consistentes. Jalman Lima, mestre em matemática e gerente da CASIO Educação, destaca que apenas 28% dos estudantes atingiram pelo menos o nível 2 em matemática, considerado o mínimo. "O ponto central é que o Brasil ainda não conseguiu produzir ganhos de aprendizagem em escala", afirma Proto, lembrando que a atual geração teve a trajetória escolar impactada pela pandemia.

Os especialistas também alertam para as desigualdades. Em ciências, a diferença entre os 25% mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis chega a 96 pontos, quase cinco vezes o aprendizado médio de um ano escolar. O Pisa 2025 envolveu 760 mil estudantes de 91 países; o Brasil participou com 30.140 estudantes, a maioria (72,4%) de escolas estaduais e 84,7% matriculados na 1ª ou 2ª série do ensino médio. Sobre o uso de celulares, 81% dos avaliados frequentavam escolas com restrições aos dispositivos, ante 37% em 2022 e média de 49% na OCDE. Além disso, 46% já usam inteligência artificial semanalmente ou mais para estudar.

Esta matéria foi publicada primeiro em Educação · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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