Brasil enfrenta gargalos na manutenção e revenda de carros elétricos
O avanço dos veículos elétricos no mercado brasileiro, impulsionado principalmente por montadoras chinesas, traz desafios que vão além da infraestrutura de recarga. A experiência de países como China, Estados Unidos e nações europeias indica que o envelhecimento da frota e a falta de preparo da rede de manutenção devem pressionar o setor nos próximos anos.
Um dos pontos mais sensíveis é a desvalorização dos seminovos. A velocidade com que novas tecnologias são incorporadas e o lançamento de modelos zero-quilômetro mais baratos reduzem o valor de revenda. Na China, um carro elétrico com três anos de uso retém apenas cerca de 42% do valor original, índice inferior ao do mercado de combustão. Baterias mais eficientes e baratas chegam constantemente ao mercado, tornando os modelos antigos menos atrativos. Muitos lojistas chineses já recusam veículos elétricos com mais de cinco anos, antecipando perdas maiores.
No Brasil, a rede de reparos ainda é um gargalo. O carro elétrico demanda menos peças mecânicas, mas exige especialistas em sistemas de alta tensão e eletrônica avançada. Cerca de 99% das oficinas independentes ligadas ao Sindirepa-PR não possuem equipamentos ou treinamento para lidar com híbridos e elétricos. Sem uma rede qualificada fora das concessionárias, o custo de manutenção tende a subir, sobretudo para proprietários que precisam de reparos após a garantia ou que estão distantes dos grandes centros.
As baterias também exigem atenção. Estudos apontam perda de capacidade em torno de 2,3% ao ano, podendo chegar a 3% com o uso frequente de carregadores rápidos de corrente contínua. Para quem compra um usado, conhecer o estado real da bateria é decisivo para saber a autonomia possível. O país ainda precisa desenvolver uma cadeia eficiente de diagnóstico, reaproveitamento das células e reciclagem dos materiais.
Há ainda impactos sobre as vias e a arrecadação pública. Os elétricos, especialmente os SUVs, são mais pesados por causa das baterias, o que aumenta o desgaste do asfalto e o custo de manutenção de ruas e rodovias. Como boa parte dos recursos para conservar estradas vem de impostos embutidos na gasolina e no diesel, o aumento da frota elétrica reduz essa arrecadação. No Brasil e na China, já se discute a criação de taxas específicas para donos de elétricos como forma de compensar as perdas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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