Avião que levou Flávio a Miami fez bate-volta de Buenos Aires ao Rio 5 dias antes do 2º turno
Registros de voo da aeronave que transportou o senador Flávio Bolsonaro (PL) a Miami mostram que o jato fez um bate-volta entre Buenos Aires e o Rio de Janeiro cinco dias antes do segundo turno das eleições de 2026. O pleito terminou com a derrota do senador e a reeleição do presidente Lula (PT).
Segundo o histórico da aeronave, ela pousou no Aeroporto do Galeão às 13h09 e partiu rumo à capital argentina pouco mais de três horas depois, retornando ao Aeroparque Jorge Newbery. O jato permaneceu em Buenos Aires até a sexta-feira (23), quando fez um voo para Córdoba, também na Argentina, e voltou no dia seguinte. Durante todo o domingo do segundo turno, a aeronave ficou em solo argentino — mesmo dia em que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) defendeu publicamente que o irmão deixasse o país caso não fosse eleito.
O deslocamento para Puerto Iguazú ocorreu apenas na noite seguinte ao pleito, de onde Flávio embarcaria para Guayaquil, no Equador, e depois para Miami. A movimentação aconteceu cerca de 11 horas após a intimação do senador. O desembarque no Aeroporto Executivo Opa Locka ocorreu por volta das 10h30, e autoridades cobriram o senador com guarda-chuvas na saída para evitar o registro pela imprensa. Em seguida, a aeronave seguiu para o Aeroporto Executivo de Fort Lauderdale, também na Flórida, em um voo de menos de 10 minutos.
A saída do país se deu após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinar que Flávio entregasse seu passaporte, o que não ocorreu. Quando o prazo venceu, a aeronave já estava em solo no aeroporto de Puerto Iguazú havia cerca de 11 horas. O manifesto mostra que o senador usou o passaporte italiano no deslocamento, enquanto sua esposa e filhas utilizaram passaportes brasileiros.
A Polícia Federal (PF) trabalha na reconstrução do trajeto feito por Flávio no Brasil. O relatório deve mapear a rota desde Brasília até Miami, passando por uma parada em uma fazenda em Foz do Iguaçu (PR). Os investigadores também apuram uma eventual rede de apoio financeiro e logístico que permitiu ao filho mais velho de Bolsonaro atravessar 1,57 mil km do território brasileiro sem ser notado pelas autoridades. A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que Flávio, a esposa e as filhas entraram no país às 22h50 de terça-feira (27) pela ponte Tancredo Neves e, às 23h30, embarcaram em voo privado para Guayaquil, de onde seguiram aos Estados Unidos.
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