Atos e falas anticatólicas de Lula contradizem interesse repentino em Nossa Senhora
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, passou a explorar nos últimos dias a imagem de Nossa Senhora Aparecida para propagar a informação falsa de que seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), teria planos de retirar dela o título de padroeira do Brasil. Uma semana antes da polêmica, porém, Lula havia criticado publicamente aspectos centrais da tradição católica, ao manifestar que reprova o celibato sacerdotal e o fato de apenas homens poderem ser sacerdotes. "Enquanto a Igreja Católica não acabar com celibato e permitir que mulheres possam ser bispos e padres, a gente vai ver a Igreja Católica passando dificuldade", afirmou.
O terceiro governo Lula coleciona, além disso, medidas contrárias a ensinamentos da Igreja. Em 2023, o Brasil foi retirado de uma declaração internacional que rejeitava o aborto e defendia a família como núcleo da sociedade, e o governo ampliou políticas de mudança de sexo no SUS. Em 2024, uma norma federal adotou o entendimento de que a identidade de gênero pode prevalecer sobre o sexo biológico e facilitou o acesso ao aborto. Em 2025, o Ministério da Saúde orientou o SUS a oferecer contraceptivos a adolescentes sem exigir a presença dos responsáveis.
Ainda em janeiro de 2023, uma das primeiras decisões do novo governo foi retirar o Brasil da Declaração do Consenso de Genebra sobre saúde da mulher e fortalecimento da família. O documento afirmava que não existe um direito internacional ao aborto, defendia que o procedimento não fosse incluído entre os direitos de saúde sexual e reprodutiva e reconhecia a família como "unidade natural e fundamental da sociedade". Ao anunciar a saída, o governo disse que a declaração continha uma visão limitada dos direitos sexuais e reprodutivos e do conceito de família, e defendeu o respeito às "diferentes configurações familiares".
Em 2023, o Ministério da Saúde revogou normas do governo anterior que regulavam o atendimento nos casos de aborto decorrente de estupro. No ano seguinte, publicou orientação segundo a qual não existe limite de idade gestacional para a realização do aborto nas hipóteses permitidas pela legislação brasileira, afastando o marco de 21 semanas e 6 dias de orientação anterior; após forte repercussão, a ministra Nísia Trindade suspendeu o documento. Em 2024, o Itamaraty trabalhou pela inclusão da expressão "saúde reprodutiva para todas" em resolução sobre família discutida na ONU. Em 2026, a nova Caderneta Brasileira da Gestante, distribuída pelo SUS, incluiu informações sobre aborto em material destinado ao acompanhamento pré-natal.
Em duas ocasiões, em 2022 e 2024, Lula afirmou que o aborto tem que ser tratado como "questão de saúde pública". Em 2022, defendeu mudança na legislação para que o aborto deixasse de ser proibido: "todo mundo [deveria] ter direito e não ter vergonha", disse. Em junho de 2024, voltou a defender que "o aborto tem que ser tratado como questão de saúde pública", ressalvando ser pessoalmente contrário ao aborto. O Catecismo da Igreja Católica ensina que a vida humana deve ser protegida desde a concepção e classifica o aborto direto como gravemente contrário à lei moral.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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