A vida dupla de homem acusado de drogar e estuprar esposa com estranhos
Uma mulher que acreditava não ter mantido relações sexuais por nove anos era, na verdade, drogada e estuprada regularmente pelo próprio marido e por um grupo de estranhos, segundo revelações apresentadas em um julgamento em Manchester, na Inglaterra. De acordo com a promotoria, o marido levava uma "vida dupla" e oferecia à esposa um "coquetel entorpecedor" de drogas para que ela "desconhecesse totalmente" o abuso.
Ele e quatro homens já se declararam culpados de uma série de crimes. O julgamento de outros nove réus, que negam todas as acusações, começou no tribunal de Manchester. Na abertura do caso, a representante da promotoria, Louise Oakley, afirmou que a esposa era "feliz", mas que "a vida que ela conhecia terminou quando a polícia bateu à porta de sua casa". O juiz Maurice Greene alertou os jurados para que se preparassem para evidências que poderiam provocar sentimentos de "perturbação e raiva".
Foram exibidos vídeos da mulher, na casa dos 60 anos, sendo estuprada e abusada sexualmente enquanto estava inconsciente. Segundo Oakley, o marido, também na casa dos 60 anos e cujo nome não pode ser divulgado para proteger o anonimato da vítima, compartilhava vídeos e imagens online desde 2004, mostrando a si próprio abusando da esposa na casa da família, na área de Stockport, região metropolitana de Manchester. A promotora afirmou que ele planejava havia anos convidar homens para estuprar a esposa, mas só pôs a ideia em prática em 2023.
A polícia confiscou o celular do marido, que continha seus "segredos mais sombrios" e suas "brutais fantasias sexuais". Os investigadores encontraram mais de um milhão de fotografias e vídeos que "catalogavam" os abusos. "Sua depravação parece não ter tido fronteiras", declarou Oakley. Entre os réus estão o paramédico Jonathan Kirk, de 43 anos; o motorista de táxi Philip Wild, de 59; o técnico de futebol amador Alan Keelan, de 42; o funcionário de uma agência de recursos humanos Mohammed Sabir, de 28; Jordan Wallace, de 31; o montador de chapas metálicas Richard Townsend, de 37; e o aposentado Robert Stewart, de 70 anos. Daniel Rayner e David Graves foram descritos como agressores "sem contato", acusados de incentivar os abusos ou ajudar de outras formas.
A promotora mencionou uma mensagem de Stewart ao marido, enviada horas depois de ele supostamente ter estuprado a vítima, em setembro de 2025, na qual pedia que apagasse as imagens e lembrava "o que aconteceu com o cara na França" — referência ao caso de Gisèle Pelicot, que foi drogada pelo marido e estuprada por dezenas de homens. As investigações começaram depois que jornalistas se infiltraram em um canal do Telegram em outubro de 2025. O marido se declarou culpado de 62 delitos, incluindo estupro, administração intencional de substância, compartilhamento de imagens íntimas e abuso por penetração. O julgamento continua.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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