A nova e implacável tática russa contra moradores da capital da Ucrânia
Os ataques russos contra Kiev se tornaram mais frequentes e intensos nos últimos meses, mudando a rotina de quem vive na capital ucraniana. Segundo análise da BBC Verify com base em dados do governo, a cidade recebe hoje mais alertas de ataques aéreos por dia do que em qualquer outro período desde o início da invasão, em 2022. Só nos dez primeiros dias de julho, a Rússia lançou dezenas de mísseis balísticos em três grandes ataques, que mataram quase 60 civis, segundo dados oficiais. Ataques de proporções semelhantes voltaram a ocorrer em agosto e setembro.
Moradores relatam que a mudança de estratégia russa reduziu o tempo de reação. O país passou a depender menos de aviões, cujos movimentos podem ser identificados com antecedência, e a usar mais mísseis balísticos, que viajam em altíssima velocidade. Em alguns casos, os alertas começam apenas instantes antes de os mísseis atingirem o alvo ou junto com as primeiras explosões. Daria, de 27 anos, deixou o apartamento em Kiev neste verão e voltou para a casa da família em Romankiv, a 30 km da capital, passando a enfrentar quatro horas diárias de trajeto até o trabalho.
Para quem não pode sair, a rotina virou uma sequência de planos de proteção. Olha Vlasova, de 62 anos, mora no sétimo andar com a mãe, Nadia Tsybina, de 98, que não consegue sair da cama. A cada alerta, Olha cobre a mãe com um cobertor, encaixa um colchão na janela e se esconde dentro de um guarda-roupa; Nadia coloca um travesseiro sobre a cabeça. Com o aumento dos ataques durante o dia, o comércio e o transporte também são afetados: shopping centers fecham e estações de metrô de superfície suspendem o funcionamento, interrompendo por horas a ligação entre as margens do rio Dnieper.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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