Zelensky critica decisão de Trump de suspender sanções à Rússia: “EUA precisam ver o que está acontecendo”
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, criticou neste sábado (17) a decisão de seu homólogo americano, Donald Trump, de suspender a aplicação de um pacote de sanções secundárias contra a Rússia. Na sexta-feira (16), por meio de uma ordem executiva, Trump suspendeu a vigência de uma lei que ele próprio havia sancionado no mês passado e que previa a imposição de tarifas de até 100% sobre as importações americanas de países que compram combustíveis e outros produtos russos — transações que financiam a guerra contra a Ucrânia. O presidente americano justificou a medida alegando questões de “interesses nacionais dos Estados Unidos”.
Em publicação no Telegram, na qual comentou uma nova série de ataques russos durante a noite, Zelensky lamentou a decisão e afirmou que “é fundamental que todos na América vejam o que realmente está acontecendo”. Para o presidente ucraniano, a suspensão ocorre em um momento especialmente sensível.
“Em um momento em que os russos desferiram um golpe tão severo contra nossa infraestrutura energética, tomou-se, infelizmente, a decisão na América de ignorar completamente o projeto de lei de Lindsey Graham — uma legislação concebida para exercer uma pressão verdadeiramente eficaz sobre a Rússia, visando o fim desta guerra”, escreveu Zelensky, referindo-se ao falecido senador republicano, autor do projeto sancionado por Trump em setembro. “Essa lei poderia — e ainda pode! — fazer uma diferença enorme”, acrescentou.
A suspensão do pacote de sanções ocorre após uma semana de atritos entre os presidentes americano e ucraniano. Entre os episódios que marcaram o período estão a decisão de Trump de comprar diesel russo; as acusações de que Zelensky “destruiu” a Ucrânia e de que um acordo de paz só será possível com sua saída da presidência; a decisão de Kiev de voltar a bombardear refinarias russas, após um cessar-fogo energético anunciado por Trump que Moscou não respeitou; e a controvérsia sobre uma restrição de velocidade na Ucrânia do Starshield, serviço de nível militar irmão da rede de satélites Starlink, que, segundo a agência Reuters, foi determinada pela Casa Branca — Trump, porém, negou ter dado a ordem.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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