Três carismas, um só testemunho: beatificados mártires de Monte Sole em Bolonha
A Igreja celebrou no domingo, 27 de setembro, em Bolonha, a beatificação dos padres Ubaldo Marchioni, Elia Comini e Martino Capelli, mortos pelas tropas nazistas em 1944, durante os massacres de Monte Sole. A cerimônia reuniu a Arquidiocese de Bolonha, os Salesianos de Dom Bosco e a Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, os dehonianos, em torno de três sacerdotes que permaneceram junto à população e acompanharam as pessoas confiadas aos seus cuidados até as últimas consequências.
Na Basílica de São Petrônio, mais de 150 concelebrantes participaram da celebração eucarística, presidida pelo cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos. Estavam presentes o arcebispo de Bolonha, cardeal Matteo Zuppi; o cardeal Ángel Fernández Artime, pró-prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica; o reitor-mor dos Salesianos, padre Fabio Attard; e o superior-geral dos Dehonianos, padre Carlos Luis Suárez Codorniú.
Entre 29 de setembro e 5 de outubro de 1944, mais de 770 civis foram mortos nos massacres de Monte Sole. Padre Ubaldo Marchioni, de 26 anos, encontrou cerca de cem mulheres e crianças refugiadas na Igreja de Casaglia. Permaneceu com elas e tentou negociar sua libertação com os soldados. As mulheres e crianças foram conduzidas ao cemitério e assassinadas; o sacerdote ficou na igreja e também foi morto, nos degraus do altar. A píxide encontrada entre os escombros da igreja, perfurada pelos disparos que marcaram seu martírio, foi levada à Basílica de São Petrônio para a celebração.
Padre Elia Comini, de 34 anos, salesiano e educador, acolheu pessoas deslocadas em Sálvaro. Junto com padre Martino, dirigiu-se à região de Creda para levar assistência espiritual às vítimas da chacina. Preso, foi levado na manhã de 1º de outubro de 1944 à chamada Botte de Pioppe di Salvaro, onde foi executado. Padre Martino Capelli, de 32 anos, religioso dehoniano, havia escrito ainda como seminarista, em 1931, pedindo à Virgem que um dia também pudesse ser mártir de Cristo Rei. Seu desejo era partir em missão para a China, mas a guerra o levou a Sálvaro. Depois de ser atingido, mesmo ferido, levantou-se, pronunciou algumas palavras e fez o sinal da cruz, dando uma última bênção antes de morrer.
Para o padre Ramón Domínguez Fraile, postulador-geral dos Dehonianos, que participou da preparação da celebração, a beatificação foi marcada pela colaboração entre as diferentes realidades da Igreja. Ele afirmou que foi uma imensa alegria participar da preparação com os Salesianos e com a Diocese de Bolonha, e que todos viveram uma autêntica fraternidade na diversidade dos carismas. Segundo o postulador, os três sacerdotes não tiveram medo de entregar tudo o que eram porque confiavam plenamente no Senhor, e seu testemunho ensina o que significa ser verdadeiros pastores. Ele destacou ainda que a memória dos novos beatos aponta para uma vivência cristã marcada pela compaixão e pela reconciliação, convidando os fiéis a dar um sentido cristão ao sofrimento da humanidade.
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