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'Tive que fazer um botox no meu currículo': Como a IA prejudica mulheres nos processos seletivos de empregos

Por Ivan Marra
Atualizado em 09/08/2026 às 14:35 schedule 2 min de leitura visibility 25 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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“Tive que fazer um botox no meu currículo”: como a IA prejudica mulheres em processos seletivos

Candidatas a empregos estão alterando seus currículos para esconder a idade e o tempo de experiência, na tentativa de não serem descartadas por sistemas de inteligência artificial usados na triagem de candidatos. A prática, chamada por algumas de “botox no currículo”, reflete uma preocupação crescente com o viés algorítmico nos processos seletivos.

Relatos reunidos pela BBC Brasil mostram que mulheres, especialmente acima dos 40 anos, têm removido datas de formação acadêmica, anos de conclusão de cursos e o tempo de atuação em empregos anteriores. O objetivo é evitar que os filtros automáticos associem longas trajetórias profissionais a perfis mais velhos, considerados menos atrativos por algumas empresas.

Especialistas apontam que os algoritmos de recrutamento, treinados com base em dados históricos de contratações, podem reproduzir padrões discriminatórios existentes no mercado de trabalho. Sem uma revisão criteriosa, esses sistemas tendem a penalizar justamente quem acumula mais experiência, criando uma barreira invisível para profissionais maduras.

As candidatas relatam que a estratégia, embora eficaz em alguns casos, gera um dilema: omitir informações relevantes pode comprometer a transparência do processo, mas manter os dados completos aumenta o risco de eliminação automática. Até o momento, não há regulamentação específica no Brasil que trate do uso de IA na seleção de pessoal, e as empresas não detalham publicamente os critérios adotados por esses sistemas.

Empresas que adotam esse tipo de ferramenta argumentam que a triagem automatizada amplia a escala de análise de currículos e reduz custos operacionais, permitindo que recrutadores humanos se concentrem nas etapas finais do processo. Desenvolvedores de plataformas de recrutamento, por sua vez, afirmam que os sistemas são configurados para filtrar competências técnicas e formação, e não características como idade ou gênero.

Esses fornecedores sustentam ainda que os critérios de exclusão são definidos em conjunto com os clientes e que cabe às contratantes revisar periodicamente os parâmetros para evitar distorções. As empresas, no entanto, raramente divulgam detalhes sobre como os filtros são calibrados, o que dificulta a verificação independente das alegações.

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