The Economist afirma que mercado tem razões para estar consternado com eleição de Lula
A revista britânica The Economist avaliou que o mercado financeiro tem motivos para reagir com consternação à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência da República. Segundo a publicação, referência em análise econômica, paira sobre o novo governo a pressão para evitar uma recessão, e a vitória eleitoral pode se transformar em “cinzas” caso Lula intensifique as políticas que vinha adotando.
A revista contrasta o clima entre os eleitores do PT, descritos como exultantes, e o dos investidores, que estão fugindo do Brasil. Como exemplo, cita o recuo de 8% no valor do real frente ao dólar no dia seguinte ao resultado da eleição — a pior queda em um único dia em mais de 25 anos — e a baixa de 14% no Ibovespa, índice da B3, após o acionamento de um circuit breaker, mecanismo que interrompe os pregões em quedas bruscas.
De acordo com a The Economist, o mercado apostava na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) por confiar mais nele do que em Lula. A publicação explica que gastos desenfreados nos últimos anos, inclusive no atual governo do PT, elevaram a taxa real de juros a 9%. Nesse cenário, a parcela do PIB que o país paga em juros sobre sua dívida é maior do que a paga pela maioria das outras nações, com exceção de um pequeno grupo de grandes economias. Esse quadro, segundo a revista, pesa sobre o investimento, comprime empresas e famílias e reprime o crescimento.
Ainda conforme a análise, o Brasil dispõe de recursos naturais como petróleo, extensas áreas agrícolas e grandes reservas de minerais críticos, mas cresce há décadas em ritmo mais lento do que seus pares. A gestão petista tem déficit orçamentário superior a 9% do PIB e, segundo o FMI, a dívida pública chegará a 97% do PIB em 2026, alta de 13 pontos percentuais na comparação com os 84% de 2022, antes de Lula assumir a presidência pela terceira vez. O discurso de campanha, acrescenta a publicação, não contemplou a disciplina fiscal e prometeu novos subsídios e benefícios, com custo estimado de cerca de 2% do PIB até 2027.
Na avaliação da The Economist, Lula precisa do mesmo vigor da campanha para indicar um nome de confiança do mercado para o Ministério da Fazenda e, em seguida, apresentar um plano factível de reforma fiscal. A revista conclui que, se o presidente reeleito acreditar que a vitória eleitoral é um pretexto para intensificar as políticas que derrubaram Flávio, provocará uma crise fiscal e uma recessão profunda, e sua vitória, que parecia gloriosa, acabará virando cinzas. Sobre o tema, a deputada federal Gleisi Hoffmann se manifestou contra o que chama de “ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira”, reproduzindo trecho de um texto do economista André Lara Resende que critica a atuação do Banco Central e a cobertura da imprensa sobre o gasto primário.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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