Será que os brasileiros se importam mesmo com a liberdade?
Uma pesquisa do Instituto Sivis, intitulada Entre Direitos e Limites: Percepção dos brasileiros sobre liberdade de expressão e democracia, revela uma contradição no modo como os brasileiros enxergam a liberdade de expressão. De acordo com o levantamento, 77,2% dos entrevistados consideram importante ou muito importante que as pessoas possam dizer o que querem sem censura. O problema aparece quando essa liberdade precisa valer para quem pensa diferente.
Segundo a pesquisa, 54,7% dos entrevistados foram classificados como "ambivalentes": ao mesmo tempo em que dizem valorizar a liberdade, aceitam restringi-la sem maiores problemas. Diante de conteúdos considerados controversos, ofensivos ou falsos, a tolerância à censura cresce. Nada menos que 64,6% concordam totalmente que o governo deveria poder obrigar plataformas a remover conteúdos falsos ou ofensivos. Somadas as concordâncias parciais, a proporção se aproxima de 78%.
A mesma ambivalência surge quando o tema é a democracia. Três quartos dos entrevistados, 75%, afirmam preferir a democracia. Mas 64,8% concordam que, em uma situação de crise, não importa se o governo ultrapassa as leis, o Congresso ou as instituições. Para a autora da análise, o dado ajuda a explicar a tolerância de parte da população diante de decisões tomadas à margem das leis e das instituições.
O levantamento indica que a liberdade de expressão tende a ser vista não como um princípio, mas como algo que depende do gosto de quem fala e, sobretudo, de quem ouve. Se depende da identidade de quem fala, deixa de ser liberdade e passa a ser uma espécie de autorização concedida caso a caso. É fácil defender a liberdade quando quem fala está do nosso lado ou diz aquilo com que concordamos; difícil é defendê-la quando o outro está do lado oposto, quando o que é dito nos contraria, revolta ou ofende.
Para a autora, enquanto prevalecer a ideia de que liberdade e democracia podem ser relativizadas a qualquer momento, o país estará longe de poder dizer que seus cidadãos são verdadeiros defensores de ambas. Os detalhes completos da pesquisa, como margem de erro e número de entrevistados, não constam no material disponível.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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