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Sem Lula e Flávio Bolsonaro, os debates ainda importam? O que dizem os especialistas

Por Ivan Marra
Atualizado em 23/08/2026 às 12:50 schedule 3 min de leitura visibility 32 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Ausência de Lula e Flávio Bolsonaro pode enfraquecer debates, avaliam especialistas

O primeiro debate presidencial, marcado para este domingo (23/8), deve ocorrer sem a presença dos dois candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Caso a ausência se confirme, será a primeira vez desde a redemocratização que nenhum dos principais nomes da disputa participa de um confronto desse tipo.

Lula afirmou que não pretende participar de debates em que, segundo ele, "se fale besteiras". Já Flávio Bolsonaro condicionou sua presença à participação do petista. A tendência é que ambos compareçam apenas ao último debate do primeiro turno, organizado pela TV Globo no dia 1º de outubro. Segundo publicação da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a campanha de Lula decidiu não participar do encontro na Band alegando falta de igualdade de condições para se defender dos ataques dos adversários.

Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que a ausência dos dois líderes reduz a relevância do evento, já que tira do palco os nomes que concentram a disputa eleitoral. "É evidente que o debate perde a relevância quando a gente pensa na relevância normativa, de que o debate serve para informar a população e, sobretudo, para gerar compromissos", afirma Graziella Testa, professora de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Para Cila Schulman, CEO do Idea Instituto de Pesquisa, "se os dois líderes das pesquisas não querem ir ao debate, aí, de certa forma, não há debate, o evento fica esvaziado". Ela pondera, no entanto, que a situação abre espaço para que candidatos com menos de dois dígitos nas pesquisas se apresentem ao eleitor.

Rodrigo Prando, cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, ressalta que, apesar da perda de alcance, o debate continua sendo um dos poucos momentos em que os candidatos são obrigados a confrontar diretamente as ideias dos adversários. "Não participar significa abrir mão desse espaço de exposição, o que empobrece a democracia e o próprio processo eleitoral", diz. Os especialistas também apontam que, na era das redes sociais, os debates se tornaram estratégicos para as campanhas, com candidatos buscando gerar cortes virais — dinâmica que pode favorecer nomes que dominam a linguagem das plataformas digitais, como Renan Santos (Missão).

Para os pesquisadores, o cálculo de quem lidera as pesquisas costuma ser reduzir exposições desnecessárias. "É muito comum que, se há um candidato com uma franca vantagem sobre os demais, esse candidato não vá ao debate porque ele tem muito mais a perder do que a ganhar", afirma Testa. Prando acrescenta que Lula, em um grupo majoritariamente de direita, seria o principal alvo dos ataques em um debate de primeiro turno. "Se o Lula for, ele vai ser o centro de todos os ataques. Se ele não for e o Flávio for, o Flávio vai ser a vidraça", conclui.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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