De Luís 14 ao TikTok: por que 'farmamos aura' há séculos
Embora pareça uma tendência recente das redes sociais, a obsessão por parecer interessante sem demonstrar esforço acompanha a humanidade há séculos. Na linguagem do TikTok, "cultivar aura" significa projetar presença, confiança e mistério — um magnetismo difícil de explicar, mas facilmente reconhecido. A expressão é nova; o comportamento, nem tanto.
Antes do algoritmo, havia Versalhes. No século 17, o rei Luís 14 transformou a corte em uma arquitetura colossal de prestígio, onde rituais de etiqueta e cerimônias comunicavam posição social. No início do século 19, o dândi George "Beau" Brummell aperfeiçoou a arte de parecer que não se esforça, ecoando o conceito de sprezzatura, formulado em 1528 por Baldassare Castiglione: executar algo difícil fazendo parecer fácil.
Hoje, as "batalhas de aura" levam essa competição ao extremo, lembrando confrontos de dança urbana. Sociólogos como Pierre Bourdieu e Erving Goffman já explicavam que gostos funcionam como classificação social e que a vida é uma performance. A diferença é que, agora, até a espontaneidade pode ter direção artística — e todos reconhecem o jogo.
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