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De Luís 14 ao TikTok: por que 'farmamos aura' há séculos

Atualizado em 29/08/2026 às 07:15 schedule 2 min de leitura visibility 10 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)
De Luís 14 ao TikTok: por que 'farmamos aura' há séculos

Embora pareça uma tendência recente das redes sociais, a obsessão por parecer interessante sem demonstrar esforço acompanha a humanidade há séculos. Na linguagem do TikTok, "cultivar aura" significa projetar presença, confiança e mistério — um magnetismo difícil de explicar, mas facilmente reconhecido. A expressão é nova; o comportamento, nem tanto.

Antes do algoritmo, havia Versalhes. No século 17, o rei Luís 14 transformou a corte em uma arquitetura colossal de prestígio, onde rituais de etiqueta e cerimônias comunicavam posição social. No início do século 19, o dândi George "Beau" Brummell aperfeiçoou a arte de parecer que não se esforça, ecoando o conceito de sprezzatura, formulado em 1528 por Baldassare Castiglione: executar algo difícil fazendo parecer fácil.

Hoje, as "batalhas de aura" levam essa competição ao extremo, lembrando confrontos de dança urbana. Sociólogos como Pierre Bourdieu e Erving Goffman já explicavam que gostos funcionam como classificação social e que a vida é uma performance. A diferença é que, agora, até a espontaneidade pode ter direção artística — e todos reconhecem o jogo.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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