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Seca na Amazônia atingiu 38% das áreas habitadas no último El Niño

Por Ivan Marra
Atualizado em 04/09/2026 às 12:20 schedule 3 min de leitura visibility 27 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Estudo divulgado nesta sexta-feira (4) pelo Mapbiomas aponta que 38% das ocupações humanas existentes na Amazônia tiveram alta exposição aos efeitos do El Niño de 2024. De acordo com a pesquisa, das 5.673 localidades habitadas na região, 2.172 sofreram de forma intensa com o fenômeno climático, que se caracteriza pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical e provoca irregularidade nos volumes de chuva, resultando em seca e aumento da temperatura no bioma.

Os pesquisadores cruzaram dados sobre chuva e superfície de água para demonstrar o impacto da última ocorrência do evento. Entre setembro e novembro de 2024, a superfície de água na Amazônia ficou 1,9 milhão de hectares abaixo da média histórica dos anos de 1985 a 2025. No mesmo período, o volume de chuva foi 27% inferior à média, e a temperatura máxima média registrou alta de 2,6ºC acima do historicamente observado.

“Menos chuva e temperaturas mais elevadas aumentam a demanda evaporativa na atmosfera, favorecendo a perda de água do solo e o estresse hídrico da vegetação”, explica o pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e integrante da equipe do Mapbiomas, Bruno Ferreira.

O estudo também avaliou os efeitos do fenômeno sobre diferentes tipos de ocupação humana, como núcleos urbanos, rurais, territórios indígenas, quilombolas e assentamentos. Segundo os pesquisadores, 93% dos locais analisados (5.273 localidades) ficam a até 5 quilômetros de distância das áreas que sofreram redução da superfície de água. “A seca também se manifesta na redução dos níveis dos rios, com consequências para o transporte, o acesso à água, a pesca e outras atividades que dependem dos sistemas fluviais”, destaca Ferreira.

Os dados de cobertura e uso da terra complementam os fatores de exposição do bioma. Ao longo dos 41 anos da série histórica, foram perdidos 3,9 milhões de hectares de vegetação nativa, o que equivale a uma redução de 14% da cobertura verde existente anteriormente. O estudo utilizou dados das Coleções 5 e 11 do Mapbiomas, além de informações do IBGE sobre áreas habitadas e do Painel El Niño, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Esta matéria foi publicada primeiro em Meio ambiente · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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