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Quem é Alejandro Betancourt, o polêmico bilionário por trás do acordo de petróleo entre EUA e Venezuela

Atualizado em 06/09/2026 às 12:20 schedule 3 min de leitura visibility 5 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)

O acordo de exploração de petróleo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na sexta-feira (28/8), colocou sob os holofotes um empresário venezuelano de 45 anos, Alejandro Betancourt López, escolhido por Washington para operar 17 jazidas que concentram 21,5% das reservas comprovadas de petróleo da Venezuela, cerca de 65 bilhões de barris.

Betancourt, nascido em Caracas em fevereiro de 1980, é economista formado pela Universidade de Suffolk, em Massachusetts, e administra sua fortuna, estimada pela imprensa internacional em US$ 2,6 bilhões, por meio do fundo O'Hara Financial. A empresa que lidera no acordo, a North American Blue Energy Partners (Nabep), registrada em Barbados, tem poucas informações públicas e não atua em outros mercados petrolíferos. No comunicado em que confirma a participação no pacto, Betancourt afirmou que a transação "liberará o potencial" do país vizinho e anunciou que o governo americano ficará com 35% das ações da Nabep.

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DEVIEM

O nome do empresário, no entanto, é associado a controvérsias na Venezuela desde 2009. Naquele ano, em meio à crise de eletricidade, sua empresa de engenharia Derwick Associates recebeu, sem licitação, 12 contratos do governo para construir usinas elétricas, no valor de US$ 5 bilhões. A origem dos negócios, segundo jornalistas venezuelanos, remonta às conexões de Betancourt no colégio Instituto Cumbres de Caracas, onde estudou com Javier Alvarado Pardi, filho de um ex-presidente da Eletricidade de Caracas e ex-diretor da PDVSA. Em 2011, o empresário e seus sócios ganharam o apelido de "bolichicos", em referência a jovens que faziam grandes negócios com o governo bolivariano.

Organizações de combate à corrupção, como a Transparência Venezuela, afirmam que vários projetos da Derwick não foram concluídos ou foram executados de forma incorreta, o que explicaria os apagões constantes no país. Um relatório de 2018 apontou que 11 das obras deveriam ter custado US$ 2,1 bilhões, valor 138% menor que o desembolsado pelo governo. Apesar das críticas, as autoridades permitiram que a Derwick atuasse no setor petrolífero por meio da Petrozamora, associação estratégica no lago de Maracaibo com participação de empresas russas e da PDVSA.

Autoridades americanas e venezuelanas defendem a escolha de Betancourt. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que ele é o segundo maior produtor privado de petróleo da Venezuela, atrás da Chevron, e que demonstrou capacidade de entregar resultados. A presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse que o empresário foi absolvido no país e que não há processo contra ele nos Estados Unidos. Uma autoridade americana, em condição de anonimato, declarou ao portal Axios que "Maduro teria permanecido no poder, não fosse por ele".

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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