Quem é Alejandro Betancourt, o polêmico bilionário por trás do acordo de petróleo entre EUA e Venezuela
O acordo de exploração de petróleo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na sexta-feira (28/8), colocou sob os holofotes um empresário venezuelano de 45 anos, Alejandro Betancourt López, escolhido por Washington para operar 17 jazidas que concentram 21,5% das reservas comprovadas de petróleo da Venezuela, cerca de 65 bilhões de barris.
Betancourt, nascido em Caracas em fevereiro de 1980, é economista formado pela Universidade de Suffolk, em Massachusetts, e administra sua fortuna, estimada pela imprensa internacional em US$ 2,6 bilhões, por meio do fundo O'Hara Financial. A empresa que lidera no acordo, a North American Blue Energy Partners (Nabep), registrada em Barbados, tem poucas informações públicas e não atua em outros mercados petrolíferos. No comunicado em que confirma a participação no pacto, Betancourt afirmou que a transação "liberará o potencial" do país vizinho e anunciou que o governo americano ficará com 35% das ações da Nabep.
O nome do empresário, no entanto, é associado a controvérsias na Venezuela desde 2009. Naquele ano, em meio à crise de eletricidade, sua empresa de engenharia Derwick Associates recebeu, sem licitação, 12 contratos do governo para construir usinas elétricas, no valor de US$ 5 bilhões. A origem dos negócios, segundo jornalistas venezuelanos, remonta às conexões de Betancourt no colégio Instituto Cumbres de Caracas, onde estudou com Javier Alvarado Pardi, filho de um ex-presidente da Eletricidade de Caracas e ex-diretor da PDVSA. Em 2011, o empresário e seus sócios ganharam o apelido de "bolichicos", em referência a jovens que faziam grandes negócios com o governo bolivariano.
Organizações de combate à corrupção, como a Transparência Venezuela, afirmam que vários projetos da Derwick não foram concluídos ou foram executados de forma incorreta, o que explicaria os apagões constantes no país. Um relatório de 2018 apontou que 11 das obras deveriam ter custado US$ 2,1 bilhões, valor 138% menor que o desembolsado pelo governo. Apesar das críticas, as autoridades permitiram que a Derwick atuasse no setor petrolífero por meio da Petrozamora, associação estratégica no lago de Maracaibo com participação de empresas russas e da PDVSA.
Autoridades americanas e venezuelanas defendem a escolha de Betancourt. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que ele é o segundo maior produtor privado de petróleo da Venezuela, atrás da Chevron, e que demonstrou capacidade de entregar resultados. A presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse que o empresário foi absolvido no país e que não há processo contra ele nos Estados Unidos. Uma autoridade americana, em condição de anonimato, declarou ao portal Axios que "Maduro teria permanecido no poder, não fosse por ele".
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