Por que disputa pelas Malvinas voltou ao centro da política na Argentina? A resposta tem a ver com petróleo
A disputa pelas Ilhas Malvinas voltou ao centro do debate político na Argentina em um momento em que o presidente Javier Milei busca reverter a queda de popularidade a menos de um ano da eleição presidencial. O assunto ganhou novo impulso após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou estar "reavaliando" a posição americana sobre o território, atualmente sob domínio britânico.
Em discurso recente, Milei repetiu o argumento central da posição argentina: as ilhas "pertencem por direito" ao país e foram tomadas à força pelos britânicos em 1833. O governo do Reino Unido, por sua vez, sustenta que o território estava desabitado quando foi reocupado pelos britânicos e que o assentamento argentino havia sido expulso dois anos antes por americanos, não por ingleses.
O tom acirrado, no entanto, não é novo. O ressentimento argentino em relação às Malvinas vem se acumulando há décadas e costuma ganhar força em momentos de tensão política. Milei enfrenta críticas internas, inclusive de sua ex-vice-presidente, Victoria Villarruel, que se apresenta como defensora mais firme da soberania nacional e classificou como fracasso a abordagem diplomática do atual governo sobre a questão.
Além do componente político, há um fator econômico que eleva a urgência do tema. Duas empresas de energia, a israelense Navitas Petroleum e a britânica Rockhopper Exploration, se preparam para iniciar trabalhos no campo petrolífero de Sea Lion, na costa das ilhas, dentro de cerca de dois anos. Milei afirmou que a Argentina "não pode permitir" que as companhias "se apropriem das reservas de petróleo sob o nosso mar". No sábado, o governo anunciou o início de um processo de sanções contra 45 pessoas e empresas, sem identificar os alvos nem detalhar o impacto das medidas.
A aproximação entre Milei e Trump adiciona uma camada inédita à disputa. Os dois líderes compartilham uma visão para o Hemisfério Ocidental que Trump chama de "Doutrina Don-roe", em referência à Doutrina Monroe do século 19. Resta saber se essa aliança será capaz de superar a histórica "Relação Especial" entre Estados Unidos e Reino Unido, que já levou Washington a apoiar Londres durante a Guerra das Malvinas em 1982.
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