Quem chega, quem fica e quem sai: quais são os nomes cotados para o governo Lula 4
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia as tratativas para a composição do seu quarto mandato logo após o feriado de Finados, segundo apuração da BBC News Brasil. Ainda não há prazo definido para as decisões, mas o presidente terá de acomodar aliados que se destacaram na campanha e, ao mesmo tempo, abrir espaço para o Centrão — bloco informal de partidos de centro-direita que costuma apoiar governos em troca de verbas e cargos —, de modo a garantir alguma sustentação em um Congresso adverso. Lula também tem a missão de formar novos quadros para que o PT tenha fôlego para disputar as eleições de 2030, já que não poderá tentar a reeleição.
Comunicação
A Secom deve ter mudança. O ministro Sidônio Palmeira ficou na berlinda depois do primeiro turno, quando Lula terminou em segundo lugar, atrás de Flávio Bolsonaro, e foi apontado por petistas como responsável pelo desempenho da campanha. Segundo a apuração, ele não deve voltar ao comando da pasta. O nome mais cotado para a Comunicação é o do jornalista Laércio Portela, que já chefiou a Secom de forma interina em maio de 2024, quando Paulo Pimenta deixou o ministério para assumir a reconstrução do Rio Grande do Sul.
Educação e Casa Civil
O ex-ministro da Educação Camilo Santana deixou a pasta em abril e coordenou a campanha cearense, reelegendo o governador Elmano Freitas no primeiro turno. O êxito o levou à coordenação do segundo turno da campanha presidencial, ao lado do presidente do PT, Edinho Silva. Com isso, o MEC ficou sob Leonardo Barchini, que participou da gestão de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo entre 2013 e 2016. Uma fonte afirmou à BBC News Brasil que Lula tem gostado do desempenho de Barchini e deve mantê-lo. Camilo passou a ser cogitado para a Casa Civil, hoje comandada por Miriam Belchior, que também tem boa avaliação do presidente — o que mantém incerta a mudança.
Fazenda e Segurança
A Fazenda deve ficar com o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, que foi secretário da Fazenda no estado na gestão de Wellington Dias. Lula deve viajar a Teresina na semana que vem, quando aliados de Fonteles acreditam que o convite será formalizado. A apuração indica que ele deve integrar o governo desde o início e, se assim for, deve querer autonomia total — o que pode significar a saída de Dario Durigan, hoje no comando da pasta. O futuro de Haddad, que deixou o ministério para disputar o governo de São Paulo e teve mau desempenho nas urnas, é um dos mais incertos; nos bastidores, é sabido que seu desejo é voltar à vida acadêmica. Na Segurança Pública, pasta que ainda não existe e depende da PEC em tramitação no Senado, foram ventilados os nomes do promotor Lincoln Gakiya e do ex-ministro Rui Costa. Lula ainda não se decidiu.
Quem fica
Alexandre Padilha, na Saúde, é uma das maiores certezas de permanência. Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), que disputaram o Senado por São Paulo e não foram eleitas, devem voltar a seus ministérios, assim como Aloízio Mercadante, que tirou férias da presidência do BNDES para se dedicar à campanha. Lula também tem avaliado oxigenar a equipe, e o deputado André Janones aparece entre os nomes considerados.
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