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De Lisboa a Seul: conferência debate o papel da JMJ na construção da paz

Por Celso Rafael
Atualizado em 30/10/2026 às 19:50 schedule 4 min de leitura visibility 7 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A experiência de acolhimento vivida em Lisboa e a expectativa para o próximo encontro, em Seul, conduziram a conferência realizada na manhã desta sexta-feira (30/10) na Villa Lusa, em Roma. O evento reuniu as embaixadas de Portugal e da República da Coreia junto à Santa Sé para debater o tema “De Lisboa a Seul: um caminho rumo a um futuro corajoso, respeitoso e pacífico”. A conferência integrou a programação da 17ª edição do Festival da Diplomacia, dedicado à geopolítica, à economia global e às relações internacionais, que neste ano tem como tema “O que vem depois? Correndo no limite”.

O embaixador da Coreia do Sul junto à Santa Sé, Hyung-sik Shin, definiu o espírito da JMJ Seul 2027 como um grande palco de encontros capaz de superar divisões entre a Coreia e o mundo, entre religiões e culturas e entre gerações e regiões. Segundo ele, será a primeira vez que a Jornada se realiza em um país sem maioria católica e cuja língua não tem origem europeia — “uma genuína jornada sinodal, que acolhe a juventude como o ‘agora’ da Igreja e como companheiros ativos que caminham juntos”. O diplomata recordou as raízes da Igreja na Coreia, nascida antes da chegada dos missionários estrangeiros e marcada por mais de 10 mil mártires, e afirmou que a Jornada, tendo a paz como cerne, deve permitir que essa onda se propague para além do encontro, alcançando a Ásia e o restante do mundo.

Seul, de acordo com o embaixador, servirá como fórum global para discernir os “sinais dos tempos”, refletindo sobre as angústias da juventude, a crise climática, o capitalismo de consumo e a ética na era da Inteligência Artificial. Ele citou o empenho das missões diplomáticas, a agilização de vistos, acomodações por toda a cidade, passes de transporte, refeições, segurança, apoio médico, assistência multilíngue 24h e iniciativas ecológicas, para providenciar um ambiente seguro e acolhedor no qual os peregrinos e suas famílias poderão confiar.

A perspectiva pastoral foi trazida pelo padre Riccardo Pincerato, responsável pela Pastoral da Juventude da Conferência Episcopal Italiana. Ao recordar a multidão de Lisboa e seu espírito de alegria e fraternidade, afirmou que, mesmo atravessando continentes, línguas e formatos, a Jornada preserva seu coração: os jovens descobrem que não são poucos, que não são estranhos, que pertencem a algo maior do que sua paróquia e seu país. “A Jornada Mundial da Juventude não é um evento para ser consumido. Tem a forma de um rito de passagem, como toda peregrinação”, destacou.

Daniele Bruno, presidente da Fundação João Paulo II para a Juventude, retomou o tema do Festival ao afirmar que a voz dos jovens é indispensável, não porque já tenham todas as respostas, mas porque são capazes de enfrentar o medo com esperança, a resignação com o desejo de participar e o distanciamento com a disposição para o encontro com o outro. A Fundação realizará em 2 de agosto de 2027, véspera da JMJ, a 5ª Conferência da Jornada Mundial da Juventude na Universidade Católica da Coreia, com o tema “Os Jovens e a Fraternidade: O Desafio de uma Corajosa Corresponsabilidade”, abordando paz, cuidado com a criação, promoção da vida, amizade social, economia, saúde mental e pesquisa científica.

O tema da diplomacia como construção da paz uniu as reflexões de Badriyyakhanim Soltanli, representante do Festival da Diplomacia, e da embaixadora de Portugal junto à Santa Sé, Maria Amélia Paiva. Para Badriyyakhanim, a paz vai além do silêncio: é dignidade, oportunidade, justiça e esperança, e mediar não é ter todas as respostas, mas criar espaço para que as pessoas sejam ouvidas. A embaixadora Maria Amélia Paiva, que acompanhou a JMJ de Lisboa, reforçou o convite para que os jovens sejam “artesãos da paz e diplomatas da esperança”, não meros espectadores, mas protagonistas, lembrando a “diplomacia da vida cotidiana” e o ofício da reconciliação.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Celso Rafael

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Viúvo, aposentado, pai de 2 filhos. Nasci em Medina, cresci em Belo Horizonte. Ex- servidor público, trabalhei vários anos na prefeitura de Belo Horizonte. Na sociedade civil atuei como Grande…

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