PT rejeita impeachment no STF, afasta debate sobre anistia e descarta mudanças tributárias
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, rejeitou a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que o partido não pretende priorizar o debate sobre anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Em entrevista ao Poder360 publicada nesta terça-feira (3), ele também descartou discussões internas sobre a criação de novos impostos. Segundo o dirigente, a prioridade da legenda é a defesa da democracia e das instituições.
Edinho classificou o impeachment de ministros do STF como uma medida que enfraqueceria a democracia. Ele defendeu uma reforma do Poder Judiciário, mas disse que o PT não apoiará processos contra ministros da Corte. O partido aprovou em seu 8º Congresso Nacional, realizado em 2026, a defesa de reformas política, eleitoral e do Judiciário. O dirigente citou ainda uma declaração de Lula sobre o sistema institucional brasileiro e afirmou que a sigla não aderirá a iniciativas que fragilizem as instituições.
Sobre a Lei da Dosimetria, que reduz as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, Edinho afirmou que o tema não deve ocupar o centro do debate político neste momento. A legislação entrou em vigor em maio de 2026, após o Congresso derrubar o veto de Lula, e teve a aplicação suspensa liminarmente pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Para o presidente do PT, eventual diálogo sobre a redução das penas deve ocorrer somente depois de um ambiente de pacificação nacional. Ele também criticou os questionamentos de Flávio Bolsonaro ao resultado da eleição presidencial e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Edinho avaliou ainda a atuação da Polícia Federal e a decisão de Moraes sobre os passaportes de Flávio Bolsonaro. A PF pediu a retenção dos documentos sete minutos depois da proclamação do resultado da eleição presidencial de 25 de outubro, e o ministro autorizou a medida. Embora tenha dito que não conhece os fundamentos jurídicos da decisão, o dirigente considerou o momento politicamente inadequado. Segundo ele, poderia ter sido mais adequado aguardar a consolidação do resultado eleitoral e, posteriormente, caso houvesse necessidade, adotar as medidas cabíveis.
Na área econômica, Edinho negou que o PT discuta a criação de novos tributos ou de um imposto sobre grandes fortunas. Ele afirmou que a proposta do economista André Lara Resende para reformular a política monetária nunca foi debatida no partido ou com Lula. Em contrapartida, defendeu a continuidade da reforma tributária sobre a renda, a redução de impostos sobre salários e pequenos negócios e a revisão das desonerações fiscais concedidas a setores da economia. O dirigente também comentou a articulação política do governo Lula para o próximo mandato e defendeu apoio à reeleição de Hugo Motta na Câmara e de Davi Alcolumbre no Senado.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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