Precedente para Flávio: governo americano ajudou Brizola a se exilar em 1977
Documentos e relatos históricos indicam que o governo dos Estados Unidos, sob a gestão do democrata Jimmy Carter, atuou diretamente para retirar Leonel Brizola do Uruguai e levá-lo a Nova York em 1977. A operação envolveu a Casa Branca, a Embaixada americana em Montevidéu e a CIA, conforme o material apurado.
Brizola estava no Uruguai desde 1964, quando deixou o Brasil após o início da ditadura militar. Seu nome constava do Ato Institucional nº 1, que cassou mandatos e suspendeu direitos políticos por dez anos. Entre 1965 e 1971, ele ficou sob controle da polícia uruguaia no Balneário Atlântida, nos arredores de Montevidéu, mas continuou articulando movimentos de oposição ao regime brasileiro.
Em 1977, os EUA fizeram contato com o político por meio de um intermediário para organizar uma reunião. Em 15 de setembro daquele ano, sob a alegação de quebra das regras do asilo, Brizola foi expulso do Uruguai e teve cinco dias para deixar o país. No dia seguinte, pediu asilo aos Estados Unidos, atendido em menos de 72 horas.
Como não havia voos diretos e uma escala no Brasil levaria à prisão, Brizola foi escoltado por agentes americanos da embaixada em Montevidéu até Buenos Aires, onde ficou hospedado em um apartamento ligado à CIA. Ainda sob escolta, ele e a esposa, Neuza, seguiram para o aeroporto de Ezeiza. A equipe optou por um voo direto da Aerolíneas Argentinas, e o casal chegou em segurança aos EUA em 22 de setembro de 1977.
Após breve passagem por Nova York, Brizola seguiu para Portugal, onde permaneceu até 1979. Com a Lei da Anistia, retornou ao Brasil em setembro daquele ano e retomou a atividade política. O episódio é lembrado como uma ironia histórica: um político que construiu parte de sua trajetória no nacionalismo e no antiamericanismo dependeu da proteção diplomática dos EUA para escapar de uma situação de risco.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar