Por que o molusco mais caro de Santa Catarina está desaparecendo
Santa Catarina lidera a produção nacional de ostras e vieiras, com 2.481 toneladas em 2024, mas a realidade por trás do número esconde uma distorção. Enquanto a ostra se consolidou como produto de escala na maricultura catarinense, a vieira, um dos moluscos mais caros do estado, encolheu para uma fração mínima do total — muito abaixo do pico histórico de 42 toneladas, registrado em 2021.
Pesquisador da Epagri que conduziu as primeiras pesquisas com a espécie no Brasil, na década de 1990, Guilherme Sabino Rupp estima que restam menos de uma dúzia de produtores em atividade, todos em Florianópolis. O cultivo já chegou a existir em cinco ou seis municípios do litoral catarinense. A escassez elevou o preço: levantamento da Epagri registrou a vieira a R$ 120 a dúzia, quase cinco vezes o valor da ostra, vendida a R$ 25.
O alto custo do manejo explica o encolhimento. A produtora Rita de Cássia Rodrigues, que cultiva o molusco desde 2008, conta que apenas 10% a 15% das sementes colocadas na água chegam à colheita, após um ciclo de um ano e meio de trabalho. Na ostra, a perda esperada é de 30%. "Por isso que muita gente não se arrisca a cultivar vieira", avalia. A demanda, porém, segue firme: em seu restaurante em Florianópolis, a dúzia de vieiras flambadas custa R$ 215, e as noites de degustação com o prato esgotam as vagas no mesmo dia.
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