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Por que Lula acusa Trump de tentar interferir na eleição a favor de Flávio Bolsonaro

Por Celso Rafael
Atualizado em 28/09/2026 às 13:50 schedule 4 min de leitura visibility 7 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Quando Luiz Inácio Lula da Silva venceu a eleição presidencial de 2022, os Estados Unidos foram o primeiro país a reconhecer o resultado, levando 30 minutos para se pronunciar após a Justiça Eleitoral decretar a vitória. Na época, a Casa Branca era comandada por Joe Biden, e o então presidente Jair Bolsonaro dava sinais de que poderia não acatar a derrota. O rápido posicionamento americano foi apontado por analistas como crucial para esfriar uma possível contestação organizada do resultado, inclusive entre setores das Forças Armadas.

Quatro anos depois, com Donald Trump no comando dos EUA, as relações entre Washington e Brasília atravessam seu pior momento em décadas. A crise é agravada pela avaliação do governo brasileiro de que Washington vem adotando uma série de medidas para interferir na eleição em favor da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Nas últimas semanas, a BBC News Brasil ouviu analistas, diplomatas brasileiros e estrangeiros e assessores do governo sobre o aumento das tensões às vésperas do pleito.

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Deviem

Na quarta-feira (23/9), a campanha de Lula pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma investigação sobre possível ingerência dos EUA na eleição brasileira. Também solicitou a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro, afirmando que o senador se articulou com o governo Trump para impactar o resultado das eleições, violando a soberania nacional. O pedido ocorreu dias após a divulgação, pela Folha de São Paulo, de um documento em que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou a possibilidade de interferência dos EUA na eleição ao "nível de criticidade". Segundo a Abin, Washington busca fragilizar o governo Lula por enxergá-lo como resistente à ambição americana de exercer hegemonia na América Latina.

Assessores do governo citaram outro exemplo do que consideram tentativa de interferência: a divulgação, em 15 de setembro, de um relatório do Departamento de Estado americano com críticas ao desempenho do governo brasileiro no combate a facções criminosas. As críticas se alinham com o discurso de Flávio Bolsonaro e miram um setor considerado pelo próprio governo como um calcanhar de Aquiles. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, na última terça-feira (22/9), Lula criticou a "ingerência externa em processos eleitorais" e disse que o "Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado", mas que o país não vai "terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras". Afirmou ainda que o "Brasil não cabe no quintal de ninguém".

Outro documento, divulgado pelo jornal O Estado de São Paulo em 17 de setembro, detalha uma série de exigências que os EUA teriam apresentado ao Brasil como condição para reduzir as tarifas comerciais impostas ao país no ano passado. Entre os pontos listados estaria a participação de "dissidentes políticos" nas eleições brasileiras. De acordo com o jornal, o governo brasileiro se recusou a negociar esse ponto. Nos últimos meses, os EUA também adotaram sanções contra autoridades brasileiras, entre elas o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o ministro do STF Alexandre de Moraes e delegados da Polícia Federal envolvidos em investigações de bolsonaristas. Em agosto, Washington revogou o visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Viotti, medida inédita na relação entre os dois países.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

Leia a seguir Politica Jornalista chama a atenção de Lula por fake news sobre padroeira Presidente foi questionado na Band sobre rumor envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida. Continuar leitura arrow_forward

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Celso Rafael

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Viúvo, aposentado, pai de 2 filhos. Nasci em Medina, cresci em Belo Horizonte. Ex- servidor público, trabalhei vários anos na prefeitura de Belo Horizonte. Na sociedade civil atuei como Grande…

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