PGR atende à PF para investigar propostas de Flávio e Frias no Congresso de interesse do Master
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, atendeu a um pedido da Polícia Federal para investigar se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Mário Frias (PL-SP) apresentaram no Congresso Nacional propostas de interesse do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. A informação consta em parecer enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a abertura da investigação contra o senador.
Segundo o documento, a PF deve apurar a relação de proposições legislativas apresentadas ou endossadas pelos dois parlamentares que possam ser de interesse do Banco Master, de empresas a ele vinculadas ou de seus controladores, em especial Vorcaro. O sigilo sobre a requisição foi levantado nesta sexta-feira (11), junto do restante dos processos do Banco Master, por determinação do presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, na véspera, a Mendonça.
A investigação apura se vantagens financeiras foram concedidas a Flávio e Frias — como dinheiro para a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia da trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — em troca de articulações políticas em benefício do Master e de Vorcaro no Legislativo. A autoridade policial atribui a Vorcaro a responsabilidade pelo financiamento ilícito do filme e aponta indícios de atuação de Flávio com o ex-banqueiro, que teria mantido tratativas pessoais sobre repasses de valores, incluindo cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento do andamento das gravações às vésperas da primeira prisão de Vorcaro, em novembro do ano passado.
O pedido inclui ainda a investigação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), do publicitário Thiago Miranda, que foi parceiro de negócios de Vorcaro, e do empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro e apontado como operador financeiro das fraudes, entre outros. Também são citados como alvos o advogado Paulo Calixto e o corretor de imóveis Altieris Santana, apontados como gestores do fundo Havengate, usado para receber R$ 61 milhões para a produção do filme nos Estados Unidos. Documentos indicam que eles teriam aberto uma offshore em Delaware para movimentar o dinheiro.
Em meados de maio, áudios vazados à imprensa revelaram que Flávio Bolsonaro cobrou R$ 134 milhões de Vorcaro para a produção, dos quais R$ 61 milhões foram efetivamente pagos. O senador reconheceu a cobrança e afirmou que se tratou de um financiamento privado para uma produção privada, negando irregularidades. A apuração sobre supostas vantagens financeiras para atender a interesses do Master no Legislativo é semelhante à descoberta neste ano em relação aos senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA), que teriam articulado uma proposta para elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão — a chamada “emenda Master”.
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