PGE quer cassar candidatura de deputado mais votado do RJ por elo com milícias
A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que barre o registro de candidatura de Márcio Canella (União), eleito o deputado estadual mais votado no Rio de Janeiro. Em parecer emitido na sexta-feira (23), o Ministério Público aponta que o parlamentar nomeou líderes de milícia para cargos de primeiro escalão na Prefeitura de Belford Roxo e que ele é investigado por integrar uma organização criminosa armada.
Para o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, a ausência de condenação criminal contra Canella não impede o reconhecimento do impedimento ao registro. Segundo ele, basta que o conjunto probatório seja suficientemente robusto para demonstrar o vínculo do candidato com os milicianos.
“É possível afirmar a existência de elementos seguros e convergentes que demonstram não apenas a infiltração de lideranças milicianas na administração pública por intermédio do candidato, como também o apoio eleitoral ostensivo por elas prestado à sua campanha e a sua atuação destacada como articulador de organização criminosa armada”, destacou o vice-procurador-geral eleitoral no parecer.
Barbosa reforçou que a Constituição veda que partidos se utilizem de organização paramilitar “sob nenhuma forma ou sob nenhum pretexto” e lembrou que o TSE já barrou outras candidaturas de membros de organizações criminosas para impedir a infiltração desses grupos nas eleições e no Estado. O vice-procurador pediu ainda que o tribunal acolha recurso contra a decisão que autorizou o registro de Canella. Segundo o MP, as provas da operação Unha e Carne — que prendeu o deputado no dia 15 — mostram “estreita vinculação” dele com milícias da Baixada Fluminense.
Entre os exemplos citados no parecer está a nomeação da esposa de um líder da milícia quando Canella era deputado estadual na Alerj. Já como prefeito de Belford Roxo, ele teria indicado dois milicianos para cargos de secretários municipais — líderes que tiveram candidaturas cassadas pela Justiça Eleitoral em 2024 justamente pela ligação com organizações criminosas. O parecer também aponta que o grupo estaria ligado ao “domínio ilícito do setor de combustíveis no Rio de Janeiro”, com Canella atuando como articulador político, indicando cargos na cúpula da Segurança Pública e recebendo repasses em dinheiro do esquema. Segundo a Polícia Federal, a organização investigada teria movimentado R$ 7,6 bilhões em 96 postos de combustíveis ao longo de seis anos, usados para lavar dinheiro do tráfico de drogas. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que também determinou o sequestro de bens e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar