Perda de votos no Nordeste e outros obstáculos de Lula para tentar virada inédita no 2º turno
Derrotado por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta o que o material da BBC News Brasil descreve como sua maior batalha eleitoral desde 2002. Lula teve 45,1% dos votos, contra 47% do adversário, e precisa reverter um cenário que, desde a redemocratização de 1988, nunca registrou virada entre o primeiro e o segundo turno de uma eleição presidencial. A diferença é de cerca de 2,5 milhões de votos, e o segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Um dos principais obstáculos é a abstenção. No primeiro turno, 21% dos eleitores não compareceram às urnas — 33,4 milhões de pessoas, quase dez vezes a diferença de votos entre os dois candidatos. Foi a maior abstenção em um primeiro turno desde 1998. Segundo os analistas ouvidos pela BBC, esse índice costuma ser maior entre pessoas mais pobres e com baixa escolaridade, público em que Lula normalmente vai bem. Outros 6 milhões de eleitores votaram branco ou nulo, o equivalente a 4,8% dos votos.
Para o analista Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, convencer alguém a mudar o voto é muito difícil no atual cenário de polarização, e resta ao PT estimular quem não votou a comparecer. "Lula precisa de um eleitor novo, dada a baixa probabilidade de mudança de voto de alguém que votou no bolsonarismo e mudar pro petismo", afirma. Ele defende que a campanha apresente uma sinalização econômica ou anúncios de peso. A cientista política Luciana Santana, da Universidade Federal de Alagoas, avalia que é preciso dar significado ao voto para os desacreditados, enquanto o historiador Francisco Teixeira, da UFRJ, aponta que a estratégia deve passar por reduzir a abstenção entre mais velhos e mais jovens.
No Nordeste, Lula perdeu votos em todos os Estados em relação a 2022. As maiores quedas foram no Maranhão (de 68,84% para 63,91%) e na Bahia (de 69,73% para 66,04%). O cientista político Vitor Sandes, da Universidade Federal do Piauí, diz que a região deveria ser um dos focos do segundo turno. Já Santana observa que, sem segundo turno para governador em Estados como Bahia, Piauí e Ceará — onde os governistas foram reeleitos no primeiro turno —, será preciso traçar estratégias para manter as bases ativadas.
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, a vantagem de Flávio sobre Lula subiu para 14 pontos, o dobro dos 7 pontos que Jair Bolsonaro teve sobre o petista em 2022. Lula venceu na capital e em municípios da Grande São Paulo, como Diadema e São Bernardo do Campo, mas Flávio ganhou com folga no interior. O governador Tarcísio de Freitas e os senadores eleitos Guilherme Derrite e André do Prado, aliados de Flávio, são apontados como trunfos do adversário no Estado.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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