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Pároco de Lampedusa se despede: “O contato com os migrantes mudou meu coração”

Por Celso Rafael
Atualizado em 04/10/2026 às 12:35 schedule 3 min de leitura visibility 6 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O pároco da igreja de São Gerlando, na ilha de Lampedusa, Padre Carmelo Rizzo, está deixando a comunidade após cinco anos de trabalho. Ele foi transferido para a paróquia de Santo Antônio de Pádua, em Palma de Montechiaro, província de Agrigento, na Sicília, no sul da Itália, que tem cerca de 21.500 habitantes.

Em declarações à mídia do Vaticano, o sacerdote afirmou que deixa "um pedaço do meu coração" na ilha. "Esta não é uma experiência como qualquer outra. Aqui é diferente, porque nesta ilha vivemos como uma só família, com suas virtudes e defeitos; estamos sempre juntos, crescemos juntos, um fenômeno que nos leva a estar sempre no olho do furacão", disse.

Padre Carmelo recordou a onda de migrantes que chegou a Lampedusa em 2023, quando cerca de 12 mil pessoas desembarcaram na ilha em uma única semana. Segundo ele, todos os protocolos foram ignorados e os migrantes ficaram amontoados. Apesar das dificuldades, o pároco destacou a acolhida da comunidade e disse que a experiência o transformou. "Esta experiência me mudou não só como homem, mas também como sacerdote, cujo ministério sacerdotal é estar em contato direto com a pobreza e a proximidade dos migrantes."

Ele lembrou ainda o período pós-Covid, quando os migrantes não podiam sair do centro de assistência e os contatos eram limitados. A acolhida, segundo o padre, era feita de gestos simples: "um carinho, um copo-d'água, um sorriso, perguntar o nome". Para ele, esses gestos, embora pareçam triviais, abrem os corações de quem passou por situações extremas. "Ver pessoas que morrem de sede por falta de um copo d'água nos ensina muitas coisas", afirmou.

A comunidade de Lampedusa recebeu o Papa Francisco em 2013 e o Papa Leão XIV em julho passado. Padre Carmelo classificou a atenção dos dois pontífices à ilha como "um privilégio". Ele não estava presente em 2013, mas disse que a experiência de Francisco entre os insulanos permanece viva. Sobre a visita de Leão XIV, afirmou que o pontífice agradeceu à ilha por ser símbolo de hospitalidade e manifestou o desejo de dar continuidade ao ministério de Francisco e confirmar a mensagem deixada a Lampedusa.

Nesta semana, Lampedusa recorda as 368 vítimas do naufrágio de migrantes ocorrido em 3 de outubro de 2013, entre as quais muitas crianças e mulheres. As iniciativas se encerram na paróquia de São Gerlando com uma celebração noturna inter-religiosa, promovida pelo Setor de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da Arquidiocese de Agrigento e pela Federação das Igrejas Evangélicas da Itália, com a participação da União das Comunidades Islâmicas da Itália.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Viúvo, aposentado, pai de 2 filhos. Nasci em Medina, cresci em Belo Horizonte. Ex- servidor público, trabalhei vários anos na prefeitura de Belo Horizonte. Na sociedade civil atuei como Grande…

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