Papa Leão XIV alerta para risco de algoritmos tomarem decisões da consciência humana
O Papa Leão XIV alertou nesta quarta-feira, durante a audiência geral na Praça de São Pedro, no Vaticano, para o risco de as pessoas se acostumarem a delegar a algoritmos decisões que são prerrogativa exclusiva da consciência humana. O pontífice também defendeu que a diversidade dos povos do mundo "não deve ser considerada como um perigo ou uma ameaça, mas sim como um recurso para enriquecimento e crescimento".
Leão XIV criticou atitudes de confronto que, segundo ele, às vezes degeneram em violência. "O conflito, que às vezes degenera em violência, é o resultado do poder do pecado e da maneira como ele condiciona mentalidades e ações em todos os níveis, causando destruição e morte", afirmou. Ele enfatizou a necessidade de estar cada vez mais aberto à lógica da reciprocidade, da partilha e do cuidado.
O papa observou que, embora o desenvolvimento da tecnologia de comunicações, das redes sociais e da inteligência artificial esteja abrindo novas possibilidades e ajudando a derrubar barreiras e distâncias, as relações humanas tendem a se tornar cada vez menos pessoais e mais virtuais. Nesse contexto, alertou para o risco de delegar a algoritmos decisões que cabem exclusivamente à consciência humana. Segundo ele, garantir que as relações sociais tenham substância real e profundidade pessoal é a contribuição que a comunidade cristã procura oferecer.
A fala integra a série catequética dedicada à Gaudium et Spes, a constituição pastoral sobre a Igreja e seu papel no mundo moderno, aprovada pelo Concílio Vaticano II em 7 de dezembro de 1965. O pontífice recordou que o documento considera a crescente interdependência dos homens como uma das características marcantes do mundo moderno e que sua mensagem é especialmente urgente hoje.
Leão XIV citou ainda as consequências práticas apontadas pelos padres conciliares, entre elas o respeito pela pessoa humana, o respeito e o amor pelos adversários ou por aqueles que pensam e agem de maneira diferente e a exigência de justiça social diante da igualdade fundamental de todos os seres humanos. Ele instou as pessoas a superar a mentalidade individualista e a adotar uma atitude de responsabilidade e participação. "O futuro da humanidade depende do compromisso de cada pessoa em colaborar com Deus e com seus irmãos e irmãs na construção de um mundo mais humano", concluiu.
Ao final da audiência, o papa saudou grupos de peregrinos e expressou profundo apreço pelo apostolado realizado pelos capelães de prisões, pedindo que sejam sempre uma presença viva do Evangelho e da esperança cristã. Ele também saudou participantes de um curso de assistência farmacêutica, encorajando-os a combinar expertise científica com proximidade humana e uma visão integral da pessoa.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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