Os segredos da megarreforma da residência de Putin no Mar Negro
A residência oficial do presidente da Rússia, Vladimir Putin, às margens do mar Negro, está sendo reconstruída praticamente do zero, em escala maior e com esquema de segurança mais rigoroso. A informação consta de investigação da BBC News Rússia, baseada em imagens de satélite, documentos judiciais e anúncios de emprego.
Localizada em Sochi, a residência de Bocharov Ruchey já foi usada por líderes soviéticos como Nikita Khrushchev e Leonid Brezhnev e pelo primeiro presidente russo após o fim da União Soviética, Boris Yeltsin. Putin se hospedou ali pela primeira vez antes de sua posse, em maio de 2000, e passou a receber com frequência líderes estrangeiros no local. Em 2008, o imóvel se tornou residência presidencial oficial. As demolições começaram em 2024, sem anúncio oficial. Em setembro de 2025, uma grande escavação já ocupava parte do terreno. No outono de 2026, imagens de satélite analisadas pela BBC News Rússia mostravam os telhados de vários prédios novos, em conjunto que ocupa área bem maior do que a antiga residência.
Neste ano, o Serviço Federal de Proteção da Rússia (FSO), responsável pela segurança de autoridades do Estado, decidiu reforçar a proteção de Bocharov Ruchey e criar uma zona de segurança de mais de 3 km² ao redor da residência. Parte do complexo original foi preservada: o prédio Bocharov Ruchey-2, construído para os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014, continua intacto, e Putin ainda recebe autoridades de alto escalão no local, entre elas o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, que esteve ali em 2024.
As autoridades não anunciaram oficialmente a obra, mas documentos obtidos pela BBC News Rússia ajudam a reconstruir como o projeto está sendo executado. Em uma decisão judicial sobre disputa entre empresas envolvidas na construção, foi encontrada referência a um contrato de compras do Estado para a área de defesa, identificado pelo código 2327202903572000000000000. Os quatro primeiros algarismos indicam os anos de assinatura e término do contrato — 2023 e 2027 —, e os três números seguintes, 202, correspondem ao código do FSO, responsável pela contratação. A partir de outras decisões judiciais, a BBC News Rússia identificou a TSI Group, registrada na Crimeia anexada, como empreiteira principal da obra.
Uma dessas disputas envolveu o instituto de projetos Voenmorproekt-30, de Sebastopol, que começou a atrasar o cronograma poucos meses depois do início das obras, no começo de 2025. Também foram encontradas irregularidades na construção das paredes da chamada "casa principal", serviço entregue a uma empresa de Orenburg. Anúncios em redes sociais e sites de emprego procuravam pedreiros, montadores de estruturas de aço e especialistas em concreto; alguns citavam diretamente Bocharov Ruchey e ofereciam pagamento em dinheiro, hospedagem, refeições gratuitas, ferramentas e roupas de trabalho. Em 2026, as vagas já eram para serviços de acabamento interno, como instalação de luminárias, encanamento e portas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Palavras-Chave
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar