Os grandes doadores que apostam nos dois lados da eleição
Os irmãos Alexandre e Pedro Grendene Bartelle, fundadores da Grendene, uma das maiores fabricantes de calçados do país, já doaram mais de R$ 7,4 milhões a candidatos nas eleições de 2026. Donos de marcas como Melissa, Rider e Ipanema, os bilionários gaúchos adotaram uma estratégia de distribuir recursos entre adversários que disputam o mesmo cargo.
No Ceará, a aposta é dupla na disputa pelo governo do Estado. O candidato à reeleição Elmano de Freitas (PT) recebeu R$ 1 milhão de Pedro Grendene. Do outro lado, o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) também embolsou R$ 1 milhão dos fundadores da Grendene, sendo R$ 500 mil de Pedro e R$ 500 mil de Alexandre. Segundo a última pesquisa do Datafolha, os dois candidatos estão tecnicamente empatados no primeiro turno.
O maior aporte individual entre os irmãos saiu do bolso de Alexandre, que doou R$ 2,5 milhões para Luciano Zucco (PL-RS), candidato ao governo do Rio Grande do Sul. Com patrimônio estimado pela Forbes em R$ 12,1 bilhões, Alexandre distribuiu mais de R$ 3,9 milhões a seis candidatos de seis partidos diferentes — PL, PSDB, PSB, PDT, Novo e PSD. Em 2022, ele havia doado R$ 6,3 milhões. Pedro, com fortuna de R$ 5,7 bilhões, doou R$ 3,5 milhões no total, patrocinando seis candidatos de quatro partidos (PT, PL, PSB e PDT). Em 2022, sua contribuição havia sido de R$ 6 milhões.
A presença industrial da empresa ajuda a explicar o interesse político no Ceará. Nos anos 1990, a Grendene transferiu o grosso da produção para o Estado, onde hoje mantém 11 fábricas: seis em Sobral, duas em Fortaleza e duas em Crato, além de uma fábrica de PVC e centros de distribuição. A empresa emprega cerca de 16 mil pessoas e, no primeiro semestre de 2026, faturou R$ 1,4 bilhão em receita bruta.
Segundo o cientista político Bruno Wilhelm Speck, a distribuição de recursos entre partidos e candidatos que disputam entre si pode revelar uma estratégia de redução de risco por parte dos financiadores. Outro empresário que adotou essa lógica foi Erasmo Carlos Battistella, CEO da Be8, que doou R$ 1 milhão dividido igualmente entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com aportes de R$ 500 mil para cada, efetuados no início de setembro. Em nota, Battistella afirmou que as doações foram feitas como pessoa física, dentro dos limites da legislação eleitoral, e reafirmou compromisso com governança, integridade e transparência.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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