Os eleitores hispânicos ajudaram a eleger Trump. Isso pode estar mudando agora no Texas?
Pesquisas recentes indicam que o apoio ao presidente Donald Trump entre eleitores hispânicos no Texas caiu desde 2024, às vésperas das eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro. Levantamentos feitos desde o fim do verão apontam que a maioria desses eleitores no estado desaprova o presidente e que o grupo tem favorecido os democratas em detrimento dos republicanos por margem significativa.
O cenário contrasta com o desempenho eleitoral anterior. Trump conquistou cerca de 55% dos votos hispânicos no Texas — recorde para um candidato presidencial republicano —, impulsionado em parte pela promessa de conter as travessias ilegais na fronteira, que hoje estão no nível mais baixo em décadas. Em julho de 2026, segundo dados obtidos pelo Deportation Data Project, o Texas respondeu por aproximadamente um terço de todas as prisões realizadas pelo ICE no país, participação maior do que a de qualquer outro estado.
No Vale do Rio Grande, região de fronteira com o México, a mudança de humor aparece entre eleitores que apoiaram o presidente. O empresário mexicano-americano Mario Guerrero, que votou em Trump três vezes seguidas, diz que planeja votar nos democratas em novembro, em parte por desconforto com a repressão migratória. Ele relata o caso de um conhecido que, no ano passado, tinha 35 funcionários e agora teria sorte se conseguisse que quatro ou seis aparecessem para trabalhar. Guerrero se descreve como nem democrata nem republicano.
O padre Roy Snipes, conhecido como Padre Cowboy e responsável pela Capela Católica de La Lomita há quase meio século, dedicou o sermão de sexta-feira às ações do ICE. "Não há justificativa para deter, encarcerar e deportar pessoas pobres e boas que são nossos vizinhos", disse ele a uma congregação de cerca de 30 fiéis, em sua maioria hispânicos. Após o culto, membros da congregação que se identificaram como educadores afirmaram que muitos alunos precisam voltar para a escola porque seus pais estão sendo deportados.
O prefeito republicano de McAllen, Javier Villalobos, prevê dificuldades para os republicanos desta vez, mas reconhece o papel do governo em conter o problema na fronteira. Ele afirma que a maioria das pessoas concorda com a deportação de criminosos e pessoas violentas, mas vê problema quando se começa a deportar pessoas produtivas e que respeitam a lei. Para o consultor republicano Mike Madrid, os latinos são mais propensos do que qualquer outro grupo racial ou étnico a se identificar como independentes, e não como republicanos ou democratas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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