O segundo turno no primeiro e a capitulação da terceira via
A candidata do Novo a deputada federal por São Paulo, Marina Helena, anunciou que não votará em Romeu Zema, presidenciável do próprio partido, e que apoiará Flávio Bolsonaro já no primeiro turno. Segundo o relato, ela comunicou a decisão em suas redes sociais e garantiu ter avisado Zema antes. Ele teria dado anuência e a liberado para apoiar o adversário, mesmo sem ter desistido formalmente da disputa.
Na avaliação do colunista, o episódio é, na prática, a confissão de que a candidatura de Zema se arrasta. Levantamento da AtlasIntel (registro no TSE BR-04739/2026) aponta o presidenciável com apenas 0,9% das intenções de voto no país e 0,8% em Minas Gerais, estado que governou por dois mandatos.
Outro nome em processo de desidratação é Ronaldo Caiado. Quando lançou seu nome, já o fez de forma esvaziada, e o PSD nunca demonstrou grande entusiasmo em torno de uma candidatura própria. Com diretórios divididos entre o bolsonarismo e o lulopetismo, ter um candidato à Presidência funciona mais como empecilho do que como bom negócio político. Candidatos a governador do PSD cuidam de seus próprios redutos: Ratinho Junior, governador do Paraná, nem cita Caiado em manifestações públicas e passou a fazer acenos ao eleitorado de Flávio Bolsonaro.
Augusto Cury teve um momento de exposição no debate da Band e na entrevista do Jornal Nacional, mas o impulso inicial não se consolidou. Renan Santos ainda aparece em levantamentos nacionais com indicadores superiores aos dos demais alternativos e conta com militância organizada por meio do MBL, mas isso tem sido insuficiente para impedir oscilações e recuos. Na própria Atlas, que em levantamentos anteriores chegou a situá-lo no limiar de dois dígitos, passou a aparecer abaixo desse patamar.
Até aqui, o vetor inamovível da campanha tem sido a continuidade de Lula e Flávio Bolsonaro na dianteira, trocando de posição na liderança em meio a variáveis como o caso de corrupção no INSS, a atuação do Supremo Tribunal Federal, o escândalo do Banco Master e as tarifas de Donald Trump. Nenhum dos dois teve sua presença no segundo turno efetivamente ameaçada pelos demais candidatos. Numa eleição quase plebiscitária e pautada pela rejeição, a concentração de votos nos dois nomes da dianteira comprime o espaço dos adversários — movimento que já se reflete entre atores políticos, como mostra a decisão de Marina Helena. É o segundo turno já no primeiro, com a terceira via capitulando no processo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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