O que está em jogo para Trump nas eleições que definirão o controle do Congresso dos EUA
As eleições legislativas desta terça-feira (3) nos Estados Unidos podem redesenhar os rumos do governo de Donald Trump nos dois últimos anos de mandato. Mesmo sem o nome do republicano na cédula, o resultado das chamadas midterms — disputas de meio de mandato realizadas a cada quatro anos — definirá qual partido controlará a Câmara dos Deputados e o Senado a partir de janeiro de 2027.
Estão em jogo as 435 cadeiras da Câmara e 35 vagas do Senado. Hoje os republicanos ocupam 218 cadeiras na Câmara, contra 214 dos democratas, além de um deputado independente alinhado aos republicanos e duas vagas abertas após renúncias. Para chegar à maioria de 218 deputados, os democratas precisariam recuperar a cadeira vaga deixada por um integrante do próprio partido e conquistar outras três atualmente em mãos republicanas. Já os republicanos mantêm o controle basta preservar ou ampliar a atual bancada.
No Senado, os republicanos têm 53 das 100 cadeiras, enquanto os democratas somam 45, com apoio de dois independentes. A oposição precisa de um ganho líquido de quatro assentos para alcançar 51 senadores. Os republicanos podem perder até três cadeiras e ainda assim seguir no comando, porque, em caso de empate de 50 a 50, o vice-presidente J.D. Vance, também republicano, exerce o voto de desempate.
O cenário eleitoral é marcado pela baixa popularidade de Trump. Pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada na semana passada apontou que 32% dos americanos aprovam sua gestão, enquanto 66% desaprovam. Entre eleitores registrados, 47% disseram preferir candidatos democratas ao Congresso, contra 36% que escolheriam republicanos. A insatisfação está ligada sobretudo à economia, à alta dos preços e à guerra contra o Irã, que contribuiu para encarecer os combustíveis.
Segundo o professor João Alfredo Lopes Nyegray, da PUC-PR, perder a maioria em apenas uma das Casas já permite à oposição bloquear parte importante da agenda presidencial. O cientista político Ross K. Baker, da Universidade Rutgers, avalia que uma maioria democrata na Câmara ampliaria investigações sobre integrantes do governo, com convocação de secretários, exigência de documentos e exame de decisões administrativas tomadas desde janeiro de 2025. De acordo com a Associated Press, líderes democratas já miram possíveis investigações sobre negócios da família Trump, conflitos de interesse, operações do ICE e a atuação do Departamento de Justiça no caso Jeffrey Epstein. Caso os republicanos mantenham as duas Casas, Trump terá mais espaço para aprofundar sua agenda econômica, migratória e de segurança nacional.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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