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O que é o rastro digital que levou a PF ao ministro Alexandre de Moraes

Por Ivan Marra
Atualizado em 02/09/2026 às 14:40 schedule 3 min de leitura visibility 14 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A divulgação de conversas entre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e um número associado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou uma questão anterior ao conteúdo dos diálogos: como a Polícia Federal identificou o destinatário das mensagens do banqueiro? Segundo o relatório da investigação, a resposta está no rastro digital deixado por arquivos e metadados recuperados do celular de Vorcaro.

Os peritos analisaram um documento enviado em uma das conversas: a minuta de um contrato do escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro. O arquivo, criado no Microsoft Word, continha informações registradas pelo software — os chamados metadados — que indicavam a autoria e as alterações feitas no texto. No campo "última modificação por", aparecia o nome "Ministro Alexandre de Moraes", com alteração feita minutos antes do envio da mensagem. O documento previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos a um escritório de advocacia, com vigência de três anos e contratação total de cerca de R$ 131 milhões.

Metadados são informações associadas a um arquivo que não aparecem necessariamente no conteúdo visível do documento. A Microsoft, proprietária do Word, explica que essas propriedades podem incluir autor, título e o nome de quem salvou o arquivo pela última vez. A empresa alerta que tais dados podem ser consultados e removidos, e que não equivalem a uma assinatura digital — ou seja, não provam sozinhos quem efetivamente redigiu o conteúdo, mas ajudam a reconstruir a origem e o histórico de um arquivo.

Além dos metadados, a PF reconstruiu parte dos diálogos apagados com base em arquivos temporários encontrados no celular de Vorcaro. Segundo a investigação, ele redigia mensagens em um aplicativo de notas, fazia uma captura de tela e enviava a imagem pelo WhatsApp usando o recurso de visualização única. A perícia localizou, em uma pasta interna do sistema identificada como "tmp" (temporário), arquivos em PDF correspondentes a essas capturas. Parte dos documentos havia sido apagada poucos minutos depois da criação, mas foi recuperada durante a extração forense. Os investigadores cruzaram os horários de criação e alteração das notas, produção das capturas, geração dos PDFs e envio das imagens para associar cada arquivo à conversa correspondente.

Como somente o celular de Vorcaro foi apreendido, não foi possível recuperar os mesmos arquivos temporários do outro lado da conversa. Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que seu setor de compliance consultou Alexandre de Moraes sobre possíveis impedimentos legais para a contratação de serviços pelo Banco Master, uma vez que o ministro é marido da sócia-diretora da banca. O escritório negou que houvesse previsão de atuação perante o STF ou impedimento legal, e afirmou que Moraes "jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master".

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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