O que a BBC viu na linha de frente da guerra no Iêmen, o conflito que ameaça a segurança energética do mundo
Em uma rara incursão à zona de conflito no sudoeste do Iêmen, uma equipe da BBC acompanhou as forças governamentais de Taiz até a linha onde termina o controle do governo e começa a chamada terra de ninguém, nas montanhas ao redor da cidade. O avanço dos combatentes houthis pela costa do Mar Vermelho, no início deste mês, intensificou a guerra civil e colocou sob pressão uma das principais rotas marítimas do mundo.
Durante o deslocamento, um soldado que acompanhava a equipe alertou sobre a presença de um drone. Pouco depois de o grupo deixar o local, foram ouvidos estrondos seguidos de impactos, sem que fosse possível determinar onde as explosões atingiram o solo. Nas encostas, muitas casas estão abandonadas após a fuga de famílias. O único som constante é o balido de animais e o disparo de tiros que vêm e vão. A cerca de um quilômetro da linha de frente, Ali, que forneceu apenas o primeiro nome por temor de represálias, contou que dois morteiros caíram em sua propriedade. Ele enviou os filhos a um campo de deslocados e permaneceu com a esposa e as irmãs para cuidar das cabras. "Estou apavorado, mas não tenho escolha", disse.
Em um posto de controle próximo à linha de frente, combatentes recém-retornados de posições na montanha relataram que os corpos de 18 soldados do governo estavam em uma área sob fogo de sua unidade, mas inacessível para a retirada. Os confrontos em torno de Taiz se intensificaram desde que os houthis tomaram o porto estratégico de Mokha, no Mar Vermelho, a 85 km a oeste da cidade, em 10 de setembro, após o rompimento de um cessar-fogo que se mantinha em grande parte havia quatro anos. O grupo passou a controlar uma faixa de território com vista para o Estreito de Bab el-Mandab, corredor marítimo que liga a Europa à Ásia, o que contribuiu para a alta dos preços do petróleo diante do temor de novas interrupções no fornecimento da região.
Taiz, terceira maior cidade do Iêmen e sua capital cultural, abriga quase 1 milhão de pessoas e fica em uma interseção entre áreas controladas pelos houthis no norte e pelo governo no sul. As forças governamentais controlam o centro, enquanto as posições houthis estão a norte e a leste. Os combates mais intensos ocorrem nas vias de acesso a oeste, onde os dois lados disputam o terreno elevado com vista para a rota que leva ao sul. Se os houthis assegurarem essas áreas, as forças governamentais poderão ter muito mais dificuldade em retomar Mokha.
No hospital al-Thawra, todos os leitos da unidade de terapia intensiva que a equipe viu estavam ocupados, com combatentes e civis. Ghana Nabeel, de 12 anos, foi atingida na cabeça por estilhaços enquanto pastoreava cabras; segundo sua família, um morteiro houthi caiu nas proximidades. Um médico afirmou que a lesão danificou o cérebro da menina. A cerca de 20 km ao sul de Taiz, no campo de deslocados de al-Monig, famílias que fugiram de Mokha e de aldeias atingidas pelos combates chegavam em meio a centenas de tendas. A ONU afirma que 130 mil pessoas foram deslocadas pelos combates no Iêmen somente neste mês.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar