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O plano bilionário da China para fazer uma nova revolução industrial com milhões de robôs

Por Ivan Marra
Atualizado em 30/08/2026 às 12:55 schedule 3 min de leitura visibility 46 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O governo chinês investe US$ 20 bilhões em um plano para colocar o país na vanguarda da inovação em robótica industrial, em um movimento que coloca a China em concorrência direta com os Estados Unidos. O programa, batizado pelo presidente Xi Jinping de "novas forças produtivas", prevê a formação de uma nova geração de engenheiros e a ampliação do uso de máquinas nas fábricas do país.

Atualmente, mais de 2 milhões de robôs operam nas fábricas chinesas, número superior ao de qualquer outro país, e mais da metade dos robôs industriais do mundo é fabricada na China. Para sustentar esse crescimento, o governo construiu escolas profissionalizantes de grande porte, como o Instituto Técnico de Hangzhou, que forma estudantes em programação e inteligência artificial para atuar ao lado da força de trabalho robótica.

Em visita a fábricas em Chengdu e Hangzhou, a BBC acompanhou o funcionamento de linhas de montagem em que robôs soldam, pintam, içam cargas e montam peças sem interrupções. Na CRP Technology, que fabrica braços robóticos há nove anos e emprega 300 pessoas, engenheiros desenvolvem um protótipo capaz de construir outros robôs. A empresa afirma que um único braço pode ser programado para executar mais de 90% das tarefas repetitivas de uma fábrica.

A automação acelerada também é uma resposta a um problema demográfico. Estimativas oficiais indicam que, até 2035, mais de um terço da população chinesa terá mais de 60 anos, e o país pode perder quase 60 milhões de habitantes na próxima década. Com cerca de 120 milhões de pessoas ainda empregadas no setor manufatureiro, o governo aposta que as máquinas preencherão a lacuna de mão de obra, mas a velocidade da transição é um risco: se for rápida demais, pode provocar perdas de empregos em massa.

Na Leapmotor, fabricante de veículos elétricos com mais de 25 mil funcionários, as etapas de estampagem, soldagem e pintura já são praticamente 100% automatizadas, mas centenas de trabalhadores ainda fazem as verificações finais dos carros. O vice-presidente da empresa, Cao Li, admite que a substituição total desses postos é "perfeitamente possível" e pode ocorrer em ritmo acelerado. A vantagem chinesa, segundo especialistas, está na base industrial completa — motores, baterias, sensores e engrenagens produzidos localmente — e no planejamento centralizado, que desdobra metas nacionais para regiões e municípios.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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