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O incessante aumento da proibição de livros nas escolas públicas dos EUA

Atualizado em 07/09/2026 às 12:40 schedule 3 min de leitura visibility 5 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)

Proibição de livros em escolas públicas dos EUA atinge nível recorde, apontam entidades

As bibliotecas das escolas públicas dos Estados Unidos se tornaram palco de uma intensa disputa ideológica sobre quais obras devem estar disponíveis aos estudantes. Dados do Escritório para a Liberdade Intelectual da Associação das Bibliotecas dos Estados Unidos (ALA) indicam que, somente em 2025, 6.588 livros foram censurados em alguma escola pública do país. O número representa um salto expressivo em relação à média de 70 obras censuradas por ano entre 2001 e 2020. Organizações que acompanham o fenômeno, no entanto, acreditam que os números reais podem ser ainda maiores, já que parte da censura ocorre sem registro.

O avanço das restrições ocorreu em paralelo à aprovação de dezenas de leis estaduais e algumas federais que limitam o acesso a livros considerados inadequados. "O que estamos observando agora é uma escalada muito diferente", afirma Gianmarco Antosca, da Coalizão Nacional contra a Censura. "O fenômeno saiu do âmbito das escolas e chegou aos legislativos estaduais e até ao âmbito federal." Na maioria dos casos, os livros são retirados das prateleiras sem que o conteúdo completo seja revisado. Grupos que promovem as restrições afirmam que o objetivo é proteger crianças de material inadequado para a idade e defender o direito dos pais de decidir sobre a educação dos filhos.

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DEVIEM

Os Estados da Flórida e do Texas concentram centenas de casos, enquanto Oklahoma e Novo México não registraram nenhuma proibição, segundo levantamentos da ALA e da PEN América. Em Utah e na Carolina do Sul, listas estaduais de obras vetadas foram criadas por lei. A lista de Utah chegou a 36 títulos após a inclusão de quatro romances de Stephen King, enquanto a da Carolina do Sul soma 22 obras. Entre os livros vetados estão "O Conto da Aia", de Margaret Atwood; "Pessoas Normais", de Sally Rooney; "As Vantagens de Ser Invisível", de Stephen Chbosky; e a saga "Corte de Espinhos e Rosas", de Sara J. Maas.

Moradores como Nicole, do condado de Pinellas, na Flórida, relatam os efeitos práticos da medida. Ela passou a comprar para os quatro filhos os livros que sumiram das escolas, mas reconhece que a realidade da maioria das famílias é diferente. "Existem comunidades inteiras que não têm dinheiro para comprar livros", lamenta. "Assim como há falta de alimentos, também existem comunidades em que há falta de livros."

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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