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Nova diretriz muda tratamento da tireoide na gestação

Atualizado em 28/08/2026 às 14:35 schedule 3 min de leitura visibility 20 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)
Nova diretriz muda tratamento da tireoide na gestação

Nova diretriz muda tratamento da tireoide na gestação

Gestantes com anticorpos contra a tireoide positivos (anti-TPO) e com funcionamento normal da glândula não devem mais usar medicamento hormonal como forma de prevenção. A mudança foi anunciada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, com base em três estudos recentes que comprovaram que o tratamento preventivo, nesses casos, não reduz riscos de abortamento ou parto prematuro.

As novas orientações seguem a diretriz publicada pela Associação Americana da Tireoide em junho deste ano, quase uma década após a versão anterior, de 2017. No Brasil, a atualização foi apresentada na sexta-feira (28), no Rio de Janeiro, durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia. Segundo o subcoordenador do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Cleo Mesa Júnior, o anticorpo positivo indica apenas predisposição a desenvolver alterações na tireoide. "Se os hormônios TSH e T4 livre estão normais, a mulher é considerada eutireoidiana e não há benefício comprovado em usar levotiroxina apenas pela gestante ter o anticorpo positivo", explicou.

Mesmo sem o uso do medicamento, a atividade da glândula continuará sendo monitorada, pois estudos indicam maior risco de desenvolvimento de hipotireoidismo ao longo da gestação. Para mulheres que já tinham hipotireoidismo antes de engravidar, a orientação permanece: aumentar em cerca de 30% a dose habitual do hormônio assim que a gravidez for confirmada. O Brasil manterá o rastreamento precoce de todas as gestantes, diferente da diretriz internacional, que sugere testar apenas mulheres com fatores de risco. "O rastreamento seletivo pode deixar de identificar algumas mulheres que apresentam alteração da tireoide, mas não possuem os fatores de risco considerados na triagem", afirmou o especialista.

Outra mudança envolve o hipotireoidismo subclínico, quando o TSH está elevado, mas o T4 livre permanece normal. O início do tratamento para TSH entre 4,0 e 10 mUI/L fica focado no primeiro trimestre da gestação, período em que o desenvolvimento do feto depende mais do hormônio tireoidiano materno. Se o problema for identificado no segundo ou terceiro trimestre, a orientação é apenas acompanhar a função tireoidiana, salvo se o TSH for superior a 10 mUI/L. A diretriz também recomenda repetir o exame de TSH após uma a três semanas antes de decidir tratar a gestante, mas as sociedades brasileiras sugerem não aguardar esse período para não perder a janela de oportunidade de tratamento.

Na atualização dos fatores de risco, permanecem no grupo prioritário mulheres com histórico de hipo ou hipertireoidismo, cirurgia ou tratamento prévio da tireoide, doenças autoimunes como diabetes tipo 1, histórico familiar de doença tireoidiana, infertilidade, dois ou mais abortamentos e uso de medicamentos que interfiram na glândula. Deixam de ser considerados fatores de risco a idade materna, a obesidade e o número de gestações anteriores. Sobre o iodo, a suplementação deve ser individualizada, principalmente para mulheres com dietas restritivas, veganas, baixo consumo de sal iodado ou situações de má absorção, podendo ser considerada a dose de 100 a 150 µg por dia.

Esta matéria foi publicada primeiro em Saúde · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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