Nem Lula, nem Flávio Bolsonaro 'têm estômago' para reforma que Brasil precisa, diz Economist
A revista britânica The Economist publicou, na quinta-feira (22/10), uma reportagem na qual afirma que “a estranha economia do Brasil precisa de uma reforma séria”, mas que “nem Lula, nem Flávio Bolsonaro têm estômago” para realizá-la. O texto avalia as propostas econômicas dos dois candidatos que disputam o segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo.
Segundo a publicação, democratas de todo o mundo se assustaram quando Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, mas capitalistas também tremeram — de entusiasmo. A revista classifica o resultado como um veredito contundente sobre a condução econômica do atual governo, citando o crescimento do PIB acima das previsões pessimistas, o desemprego baixo e a inflação próxima à faixa de 1,5% a 4,5% estabelecida como meta pelo Banco Central. Ainda assim, aponta que o descaso com as contas públicas e a retórica hostil ao setor empresarial assustam os mercados: o superávit primário herdado transformou-se em déficit, e o FMI projeta dívida pública de 97% do PIB este ano, ante 84% em 2022.
A Economist compara Flávio Bolsonaro ao presidente argentino Javier Milei, que promoveu reformas pró-mercado “com algum sucesso”, mas também “com muita dor”. A reportagem destaca promessas do senador de reduzir o número de ministérios, digitalizar o setor público e vender prédios do governo federal. Para a revista, porém, essa reforma é implausível — ele teria sorte se conseguisse metade da economia prometida com tais ajustes. O texto acrescenta que a equipe do candidato fala, em tom reservado, sobre reformas, mas o próprio senador rejeitou mudanças no sistema previdenciário ou nos mecanismos de indexação.
De acordo com a publicação, seria preciso um fervor genuíno, ao estilo de Milei, para enfrentar problemas que decorrem de uma combinação complexa de gastos públicos elevados, inflação persistente e baixa taxa de poupança. A Economist aponta o alto custo do crédito no país, fruto das altas taxas de juros e dos altos gastos públicos, como um dos problemas centrais, e afirma que nenhum governo recente atacou essa questão. A saída, segundo a revista, é o ajuste fiscal, que reduziria a inflação, diminuiria a taxa de juros real e liberaria capital para usos produtivos.
A reportagem observa ainda que qualquer presidente teria dificuldade em convencer três quintos dos membros de ambas as casas do Congresso — quórum necessário para desmontar as amarras constitucionais que impulsionam os gastos. Sobre Lula, a Economist avalia que, se ele protagonizar uma virada surpreendente no segundo turno, é improvável que se torne subitamente um defensor do rigor fiscal. “O mercado talvez prefira Bolsonaro a Lula; mas, seja quem for o eleito, o resultado acabará sendo uma decepção”, conclui a publicação.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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