Moraes x Mendonça: os bastidores da 'guerra civil' entre ministros do STF
Moraes x Mendonça: os bastidores da 'guerra civil' entre ministros do STF
A tensão entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), chegou ao ápice na terça-feira (1º/9), segundo relatos colhidos pela BBC News Brasil. O estopim foi a decisão de Mendonça de retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) sobre mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso e suspeito de comandar organização criminosa por meio do Banco Master. As mensagens teriam sido enviadas a um contato salvo no celular do banqueiro com o nome de Alexandre de Moraes.
O relatório levantou suspeitas de que Vorcaro possa ter recebido informações privilegiadas sobre investigações contra ele, fornecidas por Moraes. A PF também detalhou contratos entre Vorcaro e o escritório de advocacia da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, no valor de R$ 129 milhões. Em nota, o escritório afirmou que não houve previsão de atuação no STF nem impedimento legal para a contratação, e que Moraes "jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master". Até o momento, não houve manifestação oficial de Moraes sobre o caso.
Mendonça também deu prazo de cinco dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre a possibilidade de abertura de investigação contra Moraes. Na noite de terça-feira, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do caso, argumentando que Mendonça deveria ter consultado o plenário do STF antes de solicitar o relatório à PF. Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que o plenário terá de decidir tanto sobre o pedido de anulação quanto sobre uma possível investigação contra Moraes, em um caso considerado sem precedentes e repleto de incógnitas.
A rivalidade entre os ministros, percebida de forma silenciosa nos corredores do STF, tem raízes em episódios anteriores. Em 2023, durante o julgamento do primeiro réu dos atos de 8 de janeiro, Mendonça criticou a postura do governo federal na invasão do Palácio do Planalto, e Moraes o interrompeu para rebater o argumento, citando a prisão de coronéis da PM do Distrito Federal. Após o desentendimento, Moraes pediu desculpas ao colega. A crise, porém, se aprofundou em fevereiro deste ano, quando Mendonça assumiu a relatoria do caso Master, após Dias Toffoli abrir mão do processo em meio a suspeitas de ligação com Vorcaro.
Nos meses seguintes, as tensões aumentaram com as tentativas da defesa de Vorcaro de firmar acordo de colaboração premiada, rejeitadas pela PF e pela PGR. Mendonça teria dito que não aceitaria um acordo "pela metade", o que, na interpretação de um advogado ouvido pela BBC News Brasil, indicava que a colaboração também deveria tratar das relações do banqueiro com integrantes do Judiciário, incluindo Moraes. Em junho, em sessão do STF, Mendonça afirmou publicamente que não aceitaria uma "delação seletiva", aumentando a percepção nos bastidores de que pretendia levar as investigações adiante.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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