Meus mortos como me lembro deles
Em texto publicado no dia de Finados, o jornalista Paulo Polzonoff Jr. relembra os avós e bisavós a partir das histórias que ouviu na família. Do avô Pedro, diz, ficou apenas a má fama: bêbado e jogador, morreu cedo e deixou a viúva e quatro filhas. Ele não o conheceu e relata que a causa da morte teria sido câncer no pulmão, cirrose ou as duas coisas.
Do outro avô, Alexandre, a lembrança é um pouco melhor. Segundo a versão que circula na família, ele morreu no colo do pai do colunista, vítima de doença de Chagas, sem realizar o sonho de se naturalizar brasileiro. Já da avó Olenka, o autor recorda pouco: ela teria sido contrária ao casamento dos pais dele e o tratou como estranho em uma visita. Ana, seu primeiro nome, morreu ejetada de um Escort XR3 na entrada de Joinville.
Da avó Olívia, dona Olávia para os íntimos, Polzonoff diz ter herdado o bom humor. Analfabeta e namoradeira, ela se recusava a envelhecer e, certa vez, saiu correndo aos gritos quando o neto se disse ateu. O colunista conta que chorava quando ela ia embora e que não foi ao enterro para não encontrar os primos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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