Deixa disso, Adriano!
O colunista Paulo Polzonoff Jr. relata o reencontro inesperado com o amigo Adriano, cerca de vinte anos depois do afastamento entre os dois. Ao descer do Imperial e virar à esquerda, ele deu de cara com o sujeito de passinho curto e meio manqueta, reconhecido de imediato. Puxou-o para perto e o abraçou apertado, como se o intervalo de duas décadas não existisse.
Adriano, porém, ficou paralisado e não devolveu o abraço. Monossilábico, limitou-se a perguntar se o colunista ainda estava na Gazeta. A resposta foi sim, acompanhada de uma piada sobre a própria calvície, que não arrancou riso do outro. Polzonoff admite que a amizade se desfez por causa de uma moça que entrou no meio dos dois — e cujo nome ele precisa forçar a memória para lembrar. A mágoa, escreve, é sempre mais eterna do que o afeto.
Ele conta que soube da perda recente da mãe de Adriano, mas preferiu não tocar no assunto. Disse que estava atrasado, o que era mentira, e repetiu que era bom vê-lo. Na despedida, olhou para trás; Adriano, não.
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