Mercado financeiro reage com pessimismo após resultado das eleições presidenciais
O mercado financeiro brasileiro teve um dia de perdas severas nesta segunda-feira (26), após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, despencou 17,34% em seu pior momento e encerrou o dia com recuo de 13,88%, a maior queda diária desde o início da pandemia, em 2020. A desvalorização das empresas listadas resultou em perda de R$ 734 bilhões em valor de mercado.
O pessimismo foi intenso a ponto de a B3 acionar o circuit breaker, mecanismo de segurança que suspende as negociações por 30 minutos quando a queda atinge 10%. Ações de grandes empresas dos setores de varejo e saúde foram as mais atingidas, chegando a perder mais da metade do valor em poucas horas de negociação.
No câmbio, o dólar registrou uma das maiores altas diárias desde 1994, logo após a criação do Plano Real. A moeda americana subiu 12,5% nas primeiras horas e superou a marca de R$ 5,60, embora tenha moderado a alta para cerca de 8,9% no encerramento do dia. Os juros futuros também dispararam, com as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro subindo até três pontos percentuais. O movimento reflete a expectativa dos investidores por inflação mais alta e maior dificuldade para a redução da taxa básica de juros, diante do temor de aumento de gastos públicos sem controle.
A desvalorização generalizada dos ativos atingiu em cheio o patrimônio dos investidores mais ricos do país. Segundo levantamentos internacionais, os dez brasileiros listados entre as 500 maiores fortunas do mundo perderam, juntos, cerca de US$ 15 bilhões em apenas um dia. O fundador do banco BTG Pactual, André Esteves, teve a maior perda individual, estimada em US$ 4,4 bilhões. Controladores do Nubank e do Itaú Unibanco também viram bilhões de dólares evaporarem de suas fortunas.
Analistas econômicos esperam que a instabilidade continue até que haja maior clareza sobre os nomes que vão compor a equipe econômica e as metas fiscais do novo mandato. Especialistas apontam que a confiança dos investidores precisará ser reconstruída com medidas concretas, e não apenas discursos. O mercado aguarda sinais de compromisso real com o controle da dívida pública e o ajuste fiscal. Até que essas definições ocorram, câmbio e Bolsa devem continuar reagindo de forma volátil a cada nova informação política.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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