Lula pode virar no segundo turno? As 5 batalhas do petista
Derrotado por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta agora sua maior batalha eleitoral desde que se elegeu pela primeira vez, em 2002. Lula teve 45,1% dos votos, contra 47% do adversário — uma desvantagem de cerca de 2,5 milhões de votos. O resultado ficou 3,5 milhões de votos abaixo do que o petista obteve no primeiro turno de 2022, enquanto Flávio somou 5 milhões de votos a mais que o pai naquele pleito. Desde a redemocratização, em 1988, nunca houve virada entre o primeiro e o segundo turno de uma eleição presidencial no Brasil.
Segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil, o caminho para uma reversão inédita passa por cinco frentes principais. A primeira é a abstenção: 21% dos eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 33,4 milhões de pessoas — mais de dez vezes a diferença de votos entre os dois candidatos. Foi a maior abstenção em um primeiro turno desde 1998, e ela costuma ser mais alta entre os mais pobres e com baixa escolaridade, público em que Lula tradicionalmente vai bem. Outros 6 milhões de eleitores votaram branco ou nulo.
A segunda batalha é o Nordeste, onde Lula perdeu votos em todos os estados em relação a 2022. As maiores quedas foram no Maranhão (de 68,84% para 63,91%) e na Bahia (de 69,73% para 66,04%). O cientista político Vitor Sandes, da Universidade Federal do Piauí, avalia que a região deve ser um dos focos do segundo turno, por concentrar o eleitor mais suscetível a políticas associadas ao lulismo. A cientista política Luciana Santana, da Ufal, lembra que, sem segundo turno em disputas estaduais importantes, a campanha precisará de estratégias para manter essas bases mobilizadas.
O terceiro desafio é São Paulo, maior colégio eleitoral do país. A vantagem de Flávio sobre Lula no estado subiu para 14 pontos percentuais, o dobro dos 7 pontos que Jair Bolsonaro teve em 2022. Lula venceu na capital e em municípios da Grande São Paulo, como Diadema e São Bernardo do Campo, mas Flávio teve folga no interior, região mais conservadora e populosa. O governador Tarcísio de Freitas, aliado de Flávio, reelegeu-se com facilidade, e os dois senadores eleitos no estado também são seus aliados.
Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral e visto como termômetro nacional, completa a lista de obstáculos apontados na análise. O analista Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, resume o cenário como "muito complicado" para a virada e afirma que a campanha de Lula precisará de um "choque no eleitorado" — seja com sinalização econômica, seja com anúncios de peso — para atrair quem não votou no primeiro turno. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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