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Koch: é impossível ser discípulo de Cristo e, ao mesmo tempo, antissemita

Por Ivan Marra
Atualizado em 16/09/2026 às 19:35 schedule 3 min de leitura visibility 29 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O cardeal Kurt Koch, prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, afirmou que é impossível ser discípulo de Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, antissemita. A declaração consta de entrevista sobre a nota “Um caminho de esperança”, publicada por ocasião dos 60 anos da declaração conciliar Nostra aetate.

Segundo Koch, o Concílio Vaticano II condenou o antissemitismo não apenas por razões políticas, mas também movido pela “caridade religiosa evangélica”. Ele lembrou que todos os pontífices que se sucederam desde o Concílio reafirmaram essa posição com grande convicção, e que o Papa Leão XIV voltou a ressaltá-la. O cardeal acrescentou que o povo judeu deve saber que, na Igreja Católica, tem um parceiro confiável na luta contra o recrudescimento do antissemitismo nos dias de hoje.

Sobre a importância das raízes judaicas para a fé cristã, Koch citou o artigo 4 de Nostra aetate, segundo o qual o povo do Novo Testamento está espiritualmente ligado à descendência de Abraão. Para ele, a relação com o povo de Israel é parte integrante da autoconcepção da Igreja Católica, que não poderia compreender a si própria sem referência ao judaísmo. A declaração conciliar fala de um “patrimônio espiritual comum” entre judeus e cristãos, que deve ser recordado e mantido vivo na catequese e no anúncio do Evangelho.

O cardeal também abordou os desafios atuais do diálogo judaico-cristão. A nota reconhece que os conflitos no Oriente Médio dos últimos anos deixaram marcas nesse diálogo e que muitas pontes de comunicação vacilaram. Koch observou que, do lado judaico, cresce a preocupação de que a solidariedade cristã esteja cada vez mais vinculada a condições políticas, enquanto muitos cristãos vivem uma dolorosa tensão entre o vínculo com o povo judeu e a obrigação ética para com os que sofrem em Gaza, sobretudo as vítimas civis.

Diante desse cenário, o prefeito do Dicastério defendeu que o diálogo não seja interrompido, citando o Papa Leão XIV: “Também nestes tempos difíceis, marcados por conflitos e incompreensões, é necessário continuar com entusiasmo este nosso diálogo tão precioso”. Ele reiterou que a Igreja reconhece sua obrigação de trabalhar pela paz tanto para o povo israelense quanto para o povo palestino, e que a Santa Sé sempre esteve convencida de que somente a criação de dois Estados poderá trazer a paz ao Oriente Médio.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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