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Justiça Eleitoral se aproxima de indígenas na Raposa Serra do Sol

Por Ivan Marra
Atualizado em 13/09/2026 às 09:05 schedule 3 min de leitura visibility 34 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, no extremo norte do país, próximo à fronteira com a Venezuela e a Guiana, recebeu na sexta-feira (11) uma comitiva da Justiça Eleitoral. A visita teve como objetivo aproximar o tribunal dos eleitores indígenas. Os presidentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, e do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR), desembargador Mozarildo Cavalcanti, participaram das atividades na comunidade indígena Maturuca.

As ações ocorreram no malocão principal, espaço comunitário tradicional usado para reuniões. Nunes Marques acompanhou iniciativas da Ouvidoria dos Povos Indígenas, criada pelo TRE-RR como canal de diálogo entre a Justiça Eleitoral e os povos indígenas. A comitiva ouviu a comunidade para identificar necessidades e aproximar os serviços eleitorais da realidade das aldeias. Entre as atividades, houve capacitação de mulheres indígenas sobre como votar — demanda apresentada pela própria comunidade — e ações voltadas a jovens.

O TRE-RR entregou computadores para a escola de informática da comunidade. Os indígenas receberam também uma cartilha com informações sobre direitos, serviços e etapas da votação, produzida em Macuxi, uma língua indígena. Segundo Nunes Marques, o TSE tem uma missão “que vai muito além de organizar a votação”. “Nosso dever é garantir que cada cidadão e cada cidadã possa exercer o seu direito de escolha com liberdade, segurança e dignidade”, declarou. Para ele, isso significa reconhecer que “o Brasil é formado por muitos”. “Um país democrático não pode ser construído a partir de uma única perspectiva, de uma única cultura ou de uma única forma de ver o mundo”, complementou.

Na Raposa Serra do Sol vivem os povos Macuxi, Wapichana, Ingarikó, Taurepang e Patamona. Roraima pode ser considerado o estado mais indígena do Brasil: cerca de 15% da população pertence a alguma etnia, o que corresponde a 97,7 mil indígenas em um estado com população total de quase 640 mil pessoas, conforme o Censo 2022 do IBGE. No país como um todo, os indígenas representam 0,8% da população. Um levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) aponta que as eleições deste ano têm o maior número de candidaturas indígenas já registradas no Brasil.

No fim da agenda, na Praça das Águas, em Boa Vista, os presidentes dos tribunais eleitorais participaram de uma votação simulada na urna eletrônica. Nunes Marques incentivou os eleitores a levarem a “colinha” no dia da eleição. Dona Vicentina, de 71 anos, uma das participantes, concordou: “A colinha ajudou muito na hora de votar”. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, quando serão eleitos deputados federais, estaduais e distritais, governadores, dois senadores por unidade da federação e o presidente da República. O segundo turno será em 25 de outubro e pode ocorrer nas disputas para governador e presidente, caso nenhum candidato obtenha mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno, excluídos brancos e nulos.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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