João Campos, Gleisi e Haddad: “desempregados” devem integrar equipe ministerial do Lula 4
Após a reeleição no segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou o processo de formação da equipe ministerial para o quarto mandato. A composição deve incluir aliados que saíram derrotados das urnas no primeiro turno — e que ficarão sem mandato eletivo a partir de janeiro de 2027 —, além de nomes que se destacaram na coordenação da campanha petista.
Um dos principais cotados é o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB-PE), derrotado pela governadora Raquel Lyra (PSD-PE) na disputa pelo governo de Pernambuco. O destino do ex-candidato deve ser a chefia do Ministério da Ciência e Tecnologia, pasta que foi ocupada por seu pai, Eduardo Campos, morto em 2014, durante o primeiro mandato de Lula. João Campos, de 32 anos, preside nacionalmente o PSB e tem 3,2 milhões de seguidores no Instagram. Ele foi acionado pelo Palácio do Planalto durante a crise de comunicação do governo federal, em janeiro de 2025, para debater estratégias digitais em decorrência da suposta taxação do Pix.
Em São Paulo, a chapa petista colocou nas urnas Fernando Haddad (PT-SP) para o governo, com Márcio França (PSB-SP) como vice, além das candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB-SP) e Marina Silva (Rede-SP). Nenhum deles venceu, e todos devem retornar ao alto escalão da gestão federal. Ex-ministro da Fazenda, Haddad é cotado para a Casa Civil, mas o senador Camilo Santana (PT-CE) é apontado como favorito para a pasta depois de coordenar a campanha de Lula na virada do segundo turno. Tebet também passa a ser cotada como um dos nomes para o Supremo Tribunal Federal (STF) que Lula terá de indicar no quarto mandato.
A ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann (PT-PR) também ficou sem mandato após ser escalada por Lula para disputar o Senado no Paraná, em uma tentativa de frear a onda conservadora de candidatos da direita. O estado elegeu Filipe Barros (PL-PR) e Deltan Dallagnol (Novo-PR), e o PT tenta impugnar na Justiça Eleitoral o registro do ex-procurador da Lava Jato para concorrer a uma cadeira em uma eventual eleição suplementar. A tendência é que Gleisi assuma o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), ex-candidato à prefeitura de São Paulo, também é cotado para o cargo. Independentemente da decisão de Lula, a tendência é que ambos sejam acomodados no alto escalão do novo mandato.
Entre aliados de outras siglas, Renan Filho (MDB-AL) e Carlos Fávaro (PSD-MT) podem retornar aos ministérios dos Transportes e da Agricultura, respectivamente, após derrota nas urnas. Renan Filho foi eleito senador em 2022 e tem mais quatro anos de mandato até o final de 2030. A equipe econômica também passará por mudanças: a saída do ministro da Fazenda, Dario Durigan, é tida como certa, e o destino do sucessor de Haddad pode ser a chefia do Banco do Brasil no novo governo. Entre os cotados para a pasta da Fazenda estão o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP) e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT-PI), que tem formação econômica e foi secretário da Fazenda do estado antes de vencer a primeira eleição ao governo piauiense em 2022.
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