'Interferir na eleição do Brasil tende a sair pela culatra e Trump sabe disso', diz Ian Bremmer
O cientista político americano Ian Bremmer, fundador e presidente da consultoria de risco político Eurasia Group, avalia que a eleição brasileira é "incrivelmente apertada" e atribui a Lula uma vantagem mínima, impulsionada pela força do cargo de incumbente. Em entrevista à BBC News Brasil, ele afirmou que, se fosse obrigado a apostar, diria que Lula está à frente por muito pouco e que parece mais provável que se reeleja.
Segundo Bremmer, houve espaço para um terceiro candidato porque tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro são figuras impopulares, e mais de 60% dos eleitores dizem que sua renda disponível caiu no último ano. Ele aponta sensação de estagnação econômica, insegurança e corrupção como problemas para os dois lados, e compara o cenário brasileiro ao americano: polarizado, irritado e marcado pela percepção de que o sistema ficou corrupto.
Sobre uma possível interferência do governo de Donald Trump no pleito, Bremmer contraria a expectativa dominante em alguns setores. Ele não acredita que Washington vá se envolver diretamente, porque o governo americano entende que a intervenção tende a prejudicar Flávio mais do que ajudá-lo, já que Lula usaria a bandeira da interferência a seu favor nas urnas. A interferência, diz, virá por outra via: contas de direita com dinheiro por trás nas redes sociais, algumas sediadas nos Estados Unidos, promovendo Flávio, minando Lula e disseminando desinformação — um problema real para democracias no mundo todo.
Em uma eventual Presidência de Flávio Bolsonaro, Bremmer prevê que os mercados reagiriam bem e que o governo seria mais duro no fiscal, com prioridade para um choque de credibilidade via reforma constitucional e desaceleração do crescimento das despesas obrigatórias. Ele afirma que Flávio seria visto como tão amistoso quanto Javier Milei na Argentina e que o Brasil se alinharia imediatamente a Washington em segurança, aderindo ao Escudo das Américas e designando facções criminosas como organizações terroristas. Ainda assim, ressalta, o principal parceiro comercial do Brasil continuaria sendo a China, como já ocorria no governo de Jair Bolsonaro.
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