Inteligência artificial ajuda a criar remédio que reduz marcadores de envelhecimento
Um estudo clínico de fase 2a publicado na Nature Biotechnology em setembro de 2026 apontou que o medicamento rentosertib reduziu marcadores de idade biológica em pacientes com fibrose pulmonar. A substância foi desenvolvida pela Insilico Medicine com auxílio de inteligência artificial e demonstrou capacidade de interferir em proteínas do sangue ligadas ao tempo, abrindo caminho para novas pesquisas sobre longevidade.
Segundo o material, a inteligência artificial funcionou como um mapeador avançado para os cientistas da empresa. As ferramentas analisaram milhares de proteínas e identificaram alvos biológicos ligados tanto à fibrose pulmonar quanto ao processo de envelhecimento. A partir disso, a tecnologia ajudou a projetar a molécula capaz de atuar sobre esses alvos. Os autores compararam o processo a escanear uma fechadura complexa para produzir uma chave precisa — tarefa que seria muito mais lenta sem os algoritmos.
Os chamados relógios biológicos ou proteômicos são modelos matemáticos que analisam o conjunto de proteínas no sangue para estimar a idade real do organismo, que nem sempre corresponde aos anos vividos. O estudo usou seis desses modelos e, de forma consistente, todos indicaram redução na idade biológica dos pacientes tratados. Em alguns casos, a estimativa de rejuvenescimento nos marcadores chegou a seis anos após apenas quatro semanas de tratamento, sobretudo no grupo que recebeu a maior dosagem, de 30 miligramas duas vezes ao dia.
Os pesquisadores, no entanto, esclarecem que ainda é cedo para afirmar que houve rejuvenescimento real. O estudo detectou mudanças em biomarcadores, mas isso não comprova que os tecidos ficaram mais jovens ou que a pessoa viverá mais. Uma das dúvidas centrais é se as proteínas mudaram por ação direta do remédio contra o envelhecimento ou apenas como consequência da melhora da fibrose pulmonar. Além disso, o grupo analisado foi pequeno — 42 pessoas acompanhadas por 12 semanas —, o que torna os dados promissores, porém preliminares e dependentes de testes mais longos.
Para que o rentosertib seja aceito como terapia antienvelhecimento, os cientistas afirmam que serão necessários ensaios clínicos muito maiores e definitivos. Será preciso testar o efeito em pessoas saudáveis, e não apenas em pacientes com doenças pulmonares, para separar os benefícios clínicos da doença dos efeitos sobre a longevidade. Os futuros estudos também deverão comprovar que a queda nos marcadores biológicos se traduz em ganhos reais, como menor incidência de doenças típicas da velhice, melhora nas funções do corpo e aumento comprovado na expectativa de vida.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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