Flávio Bolsonaro na Globo: o que disse o candidato à Presidência na 2ª entrevista à emissora
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (16/10), em entrevista à TV Globo, que um dos seus primeiros atos em um eventual governo seria declarar "guerra" ao narcotráfico. Ele disse que classificaria, já em janeiro, o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, medida semelhante à adotada pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos e criticada por Lula. O candidato também afirmou que o Brasil ingressaria no Escudo das Américas, iniciativa de Trump que reúne países da região para combater o tráfico de drogas, e que Marinha e Exército teriam tropas de elite atuando no Porto de Santos e na Amazônia.
Sobre o acesso de civis a armas, Flávio classificou como "teses malucas" as afirmações de que mais armas em mãos de cidadãos "ordeiros" causam mais violência. Defendeu que o Estatuto do Desarmamento seja "melhorado" e argumentou que a legislação "proíbe o cidadão de se defender e autoriza os marginais a comprarem armas de guerra porque não tem fiscalização nenhuma". O senador também disse que não tentará reverter o fim da escala 6x1, recém-promulgado, e que passou a ser favorável ao fim desse tipo de jornada após conversar com brasileiros.
Um dos momentos de tensão da sabatina, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, foi o questionamento sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e os recursos pedidos ao banqueiro para financiar o filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Uma investigação da Polícia Federal revelou que o senador pediu R$ 134 milhões a Vorcaro e recebeu quase R$ 70 milhões, destinados a um fundo imobiliário nos Estados Unidos administrado pelo advogado Paulo Calixto, amigo de Eduardo Bolsonaro. Flávio afirmou que a produtora brasileira prestou contas dos gastos e que não houve irregularidade: "Eu estou falando de um pedido de um patrocínio privado para um filme privado, sem absolutamente nenhuma contrapartida".
Na área econômica, Flávio afirmou que manterá os reajustes do salário mínimo acima da inflação e não desvinculará as aposentadorias do piso nacional, apesar de propor um "tesouraço" nas contas públicas com economia de cerca de R$ 200 bilhões. Disse que não mudará a Constituição para alterar os pisos de gastos com saúde e educação e acusou Lula de promover "um terrorismo" com "fake news" sobre suas propostas. Como medidas para alcançar a meta fiscal, citou o corte de pelo menos dez dos 39 ministérios, a gestão de imóveis da União por meio de um fundo, a recuperação de dívidas a receber e os royalties da exploração de petróleo na Margem Equatorial, que, segundo ele, "poderia trazer mais de R$ 100 bilhões".
Perguntado se Jair Bolsonaro teria um cargo em seu governo, respondeu que o assunto não foi tratado com o pai e "não está no radar". Afirmou também que o irmão, Eduardo Bolsonaro, não seria chanceler, embora faça um "trabalho brilhante" com líderes internacionais conservadores. Flávio disputa o segundo turno com Lula em 25 de outubro.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Palavras-Chave
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar