Inteligência espanhola denuncia que Marrocos sabia dos preparativos da invasão de Ceuta
Um relatório do Centro Nacional de Inteligência da Espanha (CNI) aponta que o governo de Marrocos tinha conhecimento de que estava sendo preparada uma entrada em massa de migrantes no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, nos dias 30 e 31 de julho. A informação foi publicada pela agência EFE nesta sexta-feira (16).
O documento foi entregue à juíza María Tardón, da Audiência Nacional, tribunal superior espanhol que investiga as circunstâncias da avalanche migratória sofrida pela cidade autônoma, que faz fronteira com o território marroquino. Segundo o relatório, mais de 80 mil pessoas entraram no enclave a nado e a pé.
De acordo com o CNI, as autoridades marroquinas conheciam "com detalhes" a existência de convocações em redes sociais, com grande acompanhamento por parte dos usuários, que faziam apelos para uma adesão massiva coincidindo com a Festa do Trono de Marrocos, feriado nacional em 30 de julho. "Essas autoridades estavam plenamente conscientes de que esse fluxo iria ocorrer", afirma o documento.
O relatório sustenta que os serviços de inteligência e as forças policiais e de segurança marroquinas estavam "absolutamente conhecedores" de que se formava uma situação anômala, com aumento relevante na afluência de migrantes nos dias anteriores. Ainda segundo o CNI, Marrocos tinha conhecimento da "extensão, dimensão, data e hora da possível entrada". No plano operacional, porém, "não foi observada uma reação proativa por parte das autoridades marroquinas diante da perda de controle da situação".
O documento relata que o CNI enviou uma nota urgente em 29 de julho aos dois principais órgãos de inteligência de Marrocos, a DGED e a DGST, com informações sobre grupos no Facebook e no WhatsApp que preparavam a entrada massiva, incluindo o horário previsto: 20h de 30 de julho. Segundo o relatório, uma das razões da mobilização insuficiente foi a decisão marroquina de priorizar a segurança das celebrações da Festa do Trono na cidade de Rincón, onde o rei Mohamed VI estava presente. Medidas mais contundentes, como detenções e transferências para o interior, só começaram a ser aplicadas quando o pico de entradas por terra e mar já havia ocorrido, aponta o CNI, que classifica como "muito irregular" o envolvimento das autoridades marroquinas na prevenção e no controle da crise.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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